Archive | March, 2009

Um breve panorama #1 – CUMBIA

24 Mar

Este post inaugura no Blog da Cheetah panoramas wikipedianos sobre gêneros musicais caros ao universo da macaca. Pra começar a seção “Um breve panorama”, escolhemos a cumbia, gênero mais popular de vários países da América Latina e que hoje ameaça uma dominação mundial.

colombia

A cumbia nasceu na região caribenha do que hoje é a Colômbia, principalmente nas províncias de Cartagena e Barranquila, durante o período de colonização espanhola. Tentando preservar suas tradições culturais, escravos trazidos da África pelos espanhóis começaram a usar sua danças típicas e forte percussão com intuitos de flerte. Nessa época, a cumbia (que tem seu nome derivado do termo cambé, que significa festa) era mais conhecida como dança, já que a música era apenas percussiva – tambores e clavas, Numa segunda fase, influenciados pela música dos nativos habitantes de regiões montanhosas e seus instrumentos de sopro, criou-se no início do século 19 uma mistura tal que fez surgir a figura do gaitero, o intérprete. Posteriormente, surge o violão e o acordeón dos espanhóis, acrescentando aí mais um elemento numa mistura sonora que conquistou no século 20, Panamá, Mexico, Argentina, Chile, El Salvador, Honduras, Equador, Perú, Bolívia, entre outros, cada qual com a sua versão particular do gênero.

chicha libre

No Perú, por exemplo, surgiu nos anos 60 uma variação da cumbia chamada chicha. Basicamente, uma mistura de cumbia e rock, principalmente o surf rock de Dick Dale, só que com uma pegada andina nas melodias. Seleciono aqui três clássicas cumbias colombianas dos anos 60, sonoridade tida como supra-sumo pelos críticos especializados. Na sequência, destaco também duas chichas coletadas na obra prima “The roots of chicha: psychedelic cumbias from Peru”. Por conta dessa coletânea, vejam vocês, até mesmo os norte-americanos tem explorado a sua peculiar sonoridade. Entrem no myspace do Chicha Libre e confiram.

Armando Hernandez – La Zenaida

Luiz Pérez – La morena encarnacion

Alfredo Gutierrez – El diario de un borracho

Los Mirlos – El milagro verde

Los Mirlos – Sonido Amazonico

Até o século 20, a cumbia era conhecida como uma dança vulgar praticada pelas camadas economicamente mais baixas da sociedade. Isso permaneceu pelo menos até o meio do século passado, quando o termo “cumbia” passou a ser mais assossiado a música. Ainda assim, o preconceito aristocrata permanece até hoje, mesmo com a explosão popular que tomou conta do gênero na segunda fase do século 20. Durante muito tempo, seus temas não saiam muito de histórias de amor, romances impossíveis tipo novela mexicana, experiências do cotidiano, enfim, música pop. Eis que surge na Argentina uma nova sonoridade a partir dos anos 2000 através da cumbia villera, ou a cumbia das favelas. Cansados dos mesmos temas e sentindo falta de músicas que retratassem de fato a (dura) vida nos guetos, a cumbia villera surge, talvez incluenciada pela grave crise que assolou aquele país, e inaugura uma espécie de fase gangsta rap na cumbia. E tome música falando de armas, crime, tráfico e sexo.

Pablo Lescano, do Damas Gratis, é, talvez, o grande herói da cumbia villera, o cara que moldou esse tipo de som.

é um show de rock? de hardcore?? de speed-trash-metal??? não! é um show do damas gratis!!!

é um show de rock? de hardcore?? de speed-trash-metal??? não! é um show do damas gratis!!!

Damas Gratis – Re loco re mamado

Damas Gratis – Alza la manos

Quem duela pau a pau com o Damas Gratis em termos de popularidade na Argentina é o Pibes Chorros. Reparem como cai por completo o estereótipo que temos dos argentinos – Cadê as louras com carinha de européia? E os mullets??

Pibes Chorros – Que calor

Pibes Chorros – Pamela

Aqui um video com Pibes Chorros e Damas Gratis duelando num programa de auditório argentino!!

Pibes X Damas

E pra fechar, vamos mostrar duas das maiores paixões portenhas: cumbia e futebol num vídeo do Yerba Brava

sonidero nacional

Só que foi do México, mais precisamente de Monterrey, estado com uma cena fortíssima de artistas de cumbia, que surgiu o hit que levou a cumbia ao crossover internacional, muito por causa do filme Babel. Com produção de Toy Selectah, membro de um dos grupos mais famosos de hip-hop da história mexicana, o Control Machete, “Cumbia sobre el rio”, de Celso Piña, é uma bomba poderosa.

Celso Piña – Cumbia sobre el rio

Celso Piña – El tren (tanto na música acima quanto em “El Tren” os vocais estão a cargo do venezuelano Blanquito Man, da seminal banda King Changó)

tormenta tropical
Toy Selectah, também membro do Sonidero Nacional e hoje parte do cast da Mad Decent, do Diplo, tem presença ativa num dos discos mais sensacionais dos anos 2000 em todos os estilos, o “Mexican Sessions”, dos ingleses do Up Bustle & Out. Disco que dá um panorama muito bom da cena de Monterrey, recheada de flertes com o reggae, o hip-hop e o reggaeton.

Mundo Insolito – Toy Selectah/ Control Machete Remix

Up, Bustle & Out – Cumbion Mountain

zzk
É também da Argentina, através do coletivo Zizek, ou ZZK, que vem uma espécie de cumbia digital que não tem medo algum de absorver outros estilos, flertando com tudo quanto é guetto music, funk carioca inclusive. Festa, selo, e agência (os três beem hypados) com vários artistas portenhos liderados por Villa Diamante, o ZZK produz os sons mais interessantes da cumbia hoje em dia. Por conta do crossover colossal com outros estilos – os Zizeks também são muito bons nos mashups –, a cumbia está tomando conta dos Estados Unidos na forma do label Bersa Discos e da sua festa regular em São Francisco, a Tormenta Tropical. Mês que vem, o ZZK estará representando a cumbia no mais importante festival de música hoje, o americano Coachella. Se hoje já tem até holandês fazendo cumbia, o sensacional Sonido Del Principe, depois do Coachella el cielo es el límite.

Termino este breve panorama cumbiambero com 4 pepitas do Zizek crew, uma delas com uma certa cantora que vocês devem conhecer, e um petardo subsônico do Sonido Del Principe via Bersa Discos. Cuuuuuuuuumbia!!!

frikstailers

Frikstailers – Ta duro kuduro

El Trip Selector – Cumbia del piano triste

El Remolon feat. Marina – Vem que tem

Sonido del Principe – El principe

Para matar as saudades da macaca

20 Mar

Sei que a macaca tá fazendo falta. A saudade é grande, o peito dói, mas em breve ela volta. Dizem por aí que ela vai voltar em grande estilo, nos domingos de maio.

Por enquanto, vamos reviver os 3 vídeos na nossa mascote.

Amadou & Mariam

20 Mar

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Mesmo com toda a revolução pela qual passa a música do continente africano (kwaito, kuduro, abraço com o ocidente), nenhum artista bate Amadou & Mariam em termos de qualidade. A dupla do Mali, que esteve aqui no Brasa num Tim Festival da vida, lançou em 2008 um dos grandes discos do ano passado, “Welcome to Mali”, trabalho superior ao já clássico “Dimanche à Bamako”, de 2006. Se vc discorda, ótimo, mas, por favor, não me venha com argumentos de que o som do casal não é roots o suficiente ou que é pop demais. Em primeiro lugar, música roots não existe. E em segundo, abra seu horizinte, porque o século 21, mais do que todos os outros, é o século da mistura.

“Sabali”, primeiro single de “Welcome to Mali” esteve presente em muitos charts de melhores de 2008. De fato, é uma bela música. Damon Albarn (Blur; Gorillaz; The Good, the Bad & the Queen; Mali Music; Honest Jons), o branco mais negro de Londres, realmemente fez um belíssimo trabalho de produção. Mas uma audição atenta revela que a citada música nem de longe é a melhor do disco. Fiquem aqui com duas de minhas favoritas.

Amadou & Mariam – Magosa

Amadou & Mariam – Batoman

E de brinde, o video clipe de La réalité, do disco anterior, hitasso que catapultou os malineses ao estrelato.

Notícias do mundo animal #2

20 Mar

Bebê gorila abandonado foi batizado de Hasani

O bebê gorila que foi rejeitado pela mãe, no zoológio de San Francisco, nos Estados Unidos, agora ganhou um nome: Hasani, que significa belo no dialeto africano suaíli. O nome foi escolhido nesta quarta (11), através de um concurso do qual participaram mais de cinco mil pessoas em todo o mundo.

blog_gorila1

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Notícias do mundo animal #1

20 Mar

Calle 13

17 Mar

calle13Calle 13 é uma dupla de reggaeton formada em Porto Rico por René Pérez, o Residente, e Eduardo Cabra, o Visitante. Na real, na real, reggaeton é um gênero bem guarda-chuva (na falta de outro melhor) pra rotular o som do Calle 13. Espertos, Residente e Visitante fazem um saladão latino pra ninguém botar defeito, incluíndo até mesmo tango e balkan na sua mistureba. Ainda que bastante inconstante (um mal comum; vivemos a época dos singles), “Los de atrás vienen conmigo”, último disco da dupla, é muitíssimo interessante. Desse disco, coloco pra download a tal fusão leste-europeu-porto-riquenha. E coloco tb um flerte com a onipresente cumbia, música de um disco mais antigo.

Calle 13 – Fiesta de locos

Calle 13 – Cumbia de los aburridos

Pra fechar o post, fiquem com o stream em vídeo de “Gringo latin funk”, uma das minhas preferidas de “Los de atrás vienen conmigo”.

Los Fabulosos Cadillacs

17 Mar

O LFC é uma banda gigante na Argentina e em boa parte da América Latina – menos no Brasil, claro. Foi, acredito, meu primeiro contato com música em espanhol, isso lá pros meados dos 90, época em que se via/ ouvia muita coisa boa na MTV. Com uma pegada ska-rock bastante influenciada pelo selo 2-Tone, o LFC com o passar do tempo engrandeceu sua sonoridade absorvendo tudo quanto é tipo de latinidade.

Depois de 8 anos parados, o Los Fabulosos Cadillacs voltou ano passado com um disco chamado “La luz del ritmo”, na verdade uma espécie de recomeço, pois apesar de duplo, apenas 5 temas são originais enquanto o resto é best of. Portanto, se vc não conhece a banda, é um bom começo. A volta da banda gerou uma espectativa tão grande que em poucos dias 100 mil ingressos foram vendidos para dois shows no México – tipo, os caras põe mais gente no show que o Iron Maiden aqui. Além de vários shows ao redor da América Latina, a Satanico Pop Tour 09 também passa por Nova Iorque, Los Angeles, Miami e Chicago.

Deixo vcs aqui com 2 mp3’s para deleite, incluíndo aí minha música favorita dos portenhos: “Matador”, de 1993. A outra canção é do tal “La luz do ritmo” e chama-se “Padre nuestro”. Detalho aqui a participação especial de Pablo Lescano no keytar (aquele tecladinho bem anos 80 em forma de guitarra). Pablo é líder do Damas Gratis, banda que será muito citada aqui no blog da Cheetah pela qualidade de sua cumbia, gênero que ajudou a revitalizar alguns anos atrás.

Los Fabulosos Cadillacs – Matador

Los Fabulosos Cadillacs – Padre nuestro

Outro mimo são os clipes, ambos do crássico de 1997 “Fabulosos Callavera”, álbum mais experimental da banda.

Los Fabulosos Cadillacs – El muerto

Los Fabulosos Cadillacs – Calaveras y diablitos

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