Dancing Cheetah_20 de julho_Baptist (Alemanha) + Ajax (Gustavo mm + Filipe Mustache)

18 Jul

Dancing Cheetah
20 de julho
Baptist (Alemanha) + Ajax (Gustavo mm + Filipe Mustache)

Antigo Dj de reggae e dub, na verdade, um dos fundadores de toda a cena sound system do sul da Alemanha, o alemão Baptist foi tomado de assalto de alguns anos para cá pela onda global guettotech que invadiu o pleneta. Baptist, que já morou um tempo no Rio, realiza no momento sua primeira turnê como “Dj global” pela América do Sul, passando por Argentina, Uruguai, Chile e Brasil.

Baptist – Bajo Global Tour Mixtape

—Dancing Cheetah entrevista Baptist—

DC: Como e porque vc fez a transição de dj de dub reggae para “dj global”? Quem mais te influenciou para essa mudança na sua carreira?

B: Eu comecei a tocar dub, rocksteady, reggae e dancehall quase 15 anos atrás, num momento aonde surgiram os primeiros “Soundsystems” na Alemanha. A partir de 2005 isso virou uma moda. E pouco tempo depois essa cultura não era mais “subculture” e virou “mainstream”. Eu continuava curtindo o som, mas já estava buscando outra coisa, e achei p.ex. o Kwaito. A partir da minha primeira vez aqui no Rio e o contato com a música brasileira, especialmente o Funk carioca e a mistura da música tradicional com a atual, eu abri a minha cabeça e meus ouvidos. Nesta época também meus amigos DJ cariocas e alemães como p.ex. DJ Hops (Berlin) e Wolfram do Soundsgoods (Rio) começaram a me mostrar muita coisa nova (p.ex. Dubstep, Kuduro). Quem mais me influenciou acho que foi o Uproot Andy, mas é complicado de dizer porque sempre tem mais do que uma só resposta para uma pregunta, então tenho que mencionar também a galera daqui: Maga Bo, Cidinho & Doca, B-Negão… e os “gringos”: Haaksman, Toy Selectah e muitos mais…além dos meus “all-time favourites” como Madlib.
DC: Como é a cena de global guettotech na Alemanha? Existem muitas festas, artistas e djs?
B: A Alemanha hoje em dia é um país cheio de influências globais (como a nossa seleção de futebol). Especialmente em Berlin e Hamburgo, tem muita mistura de etnias, culturas e músicas. E se você for ver a quantidade de pessoas que vem de fora e a quantidade de festas que eles estão trazendo, você vai ver muitas festas aonde se toca estilos de som que fazem parte do guettotech ou de coisas próximas a ele, p.ex. música arabe, Dancehall, Dubstep e Urban African. Então nesse sentido a cena já é grande. Mas se você for buscar festas que tem o nome “global guettotech”, a cena ainda é pequena em comparação com outros estilos. O estilo mais atual que chega forte na Alemanha é a Cumbia. Existem muitos DJs e produtores, os mais famosos são talvez Schlachthofbronx e Daniel Haaksman. Eu também gosto muito do Daladala Sound (outhere records) de Munich. Eles conseguem divulgar muito bem a música africana na Europa. Artistas alemães no sentido de cantores por em quanto não tem muito, mais tem alguns artistas que vivem na Alemanha, como Nneka.
DC: E como está sendo a sua tournê pela América do Sul? Que países você tocou até agora?

B: A tournê foi muito legal. Porém tenho que explicar que a tournê foi também uma viagem pela América do Sul aonde eu tentei conhecer mais esse continente, seus guettos, suas músicas e realizar alguns projetos, em parceria com a minha primeira tournê de DJ. Eu toquei em Valparaiso no Chile, e duas vezes em Mendoza na Argentina, no Uruguai eu sentei pra finalizar meu Mixtape e agora com vocês na Dancing Cheetah vai ser o fechamento da tournê. Até agora  o show com a galera mais animada foi em Valparaiso (Chile). Curioso para mim foi a observação que em muitos lugares as pessoas não valorizam seu próprio guettobass local, no caso do Chile e da Argentina o Reggaeton e a Cumbia, mas gostam do guettobass de fora (p.ex. Dancehall, Dubstep). Talvez porque aceitar a cultura dos guettos de outros países parece de ser mais facil do que do guetto do outro lado da rua.


Encabeçado pelos experientes Djs de música eletrônica Gustavo mm e Filipe Mustache, o Ajax é um projeto, inédito, diga-se de passagem, que pretende levar “disco music exótica” para as pistas cariocas. Quanto a “disco music exótica” leia-se: turca, israelense, egípcia, indiana, jamaicana, árabe e por aí vai. mm é uma lenda: idealizador da Combo, do Projeto Morfina e da Clap!, além de curador da Gomus, o cara sabe tudo sobre tudo quanto é tipo de som. Filipe Mustache, da Calzone, se tornou nos últimos dois anos um dos mais requisitados Djs da cena. Clique aqui e baixe um mini-set feito para divulgar o projeto!

—Dancing Cheetah entrevista Ajax

DC: Como nasceu o Ajax? E qual o conceito por trás do projeto?

A: Achamos que o Ajax nasceu de uma identificação nossa musical já que curtimos várias coisas “de pista” em comum; mas no caso do Ajax  é principalmente pela “disco exótica”. Pretendemos inclusive continuar depois do convite da Cheetah, quem sabe fazer uns reedits… Vamos ver como conciliamos nossas atividades!

DC: E por que o nome Ajax?

A: Pela força sonora principalmente, mas também porque achamos que o nome combina com a “onda” que tocamos: forte, urgente e “funqueado”!

DC: Vcs acham que de uns tempos pra cá tem rolado uma tendência étnica na música eletrônica? Ou de certa maneira isso sempre rolou e agora está mais forte?

A: Achamos que sempre rolou (“sempre” literalmente: desde a disco do final dos anos 70 que já bebia da fonte étnica, passando pela mistura étnica no pos-punk e new wave, no hip hop minimalista do Timbaland, no afro house, enfim…). O que acontece agora é que a velocidade da informação satura as coisas mais rapidamente, então a linguagem auto-centrada das “metrópoles” não exprime a música  do mundo inteiro. Daí fomos buscar nos guetos do mundo um “frescor” mais livre da homogeinização dos centros “ocidentais-capitalistas”!

DC: Falando sobre música eletrônica de uma maneira geral, o que tem rolado de mais forte nas pistas? E o que ainda vamos ouvir falar num futuro próximo?

A: Sentimos uma leve reação do espírito “pra cima” da boa house music; talvez para quebrar um pouco a “seriedade” de influências que vinham predominando no chamado Nu Disco como krautrock e outros…  Talvez, e isso é não é uma aposta, só um “feeling”, tenhamos chegado ao fim da era dos “ciclos” (do “vai e volta” das linguagens). Achamos que a partir de agora vai ter espaço para tudo só que com um público/ ouvinte/ consumidor cada vez mais exigente. Nenhum estilo vai “sumir”, vai tudo é se fundir para resultados fantásticos!  Ou talvez signifique uma diminuição da importância da  música, pelo menos da forma como é apresentada agora (o próprio Brian Eno acredita nisso…). O importante é que “agora” tem muita coisa legal rolando e tá bonzão para dançar!!!!

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One Response to “Dancing Cheetah_20 de julho_Baptist (Alemanha) + Ajax (Gustavo mm + Filipe Mustache)”

  1. Karina Penna July 19, 2010 at 6:53 pm #

    Muuuito bom… DALE AJAX!!!

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