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Dancing Cheetah no Studio RJ

20 Oct

Parabéns para a Macaca!

14 Jul

Cheetah 02 anos! É HOJE!

9 Jul


Dancing Cheetah não é apenas uma festa. É um reflexo de um mundo que explodiu antes de ser implodido. É a bússola sem o norte apontando para o sul, leste e oeste ao mesmo tempo. É o ataque do hacker sob forma de bombas sonoras talibãs. É o rugido amplificado do animal recém-libertado. É o uga-uga em forma de grave. É o transe tribal de uma sociedade cada vez mais engessada. É o cachimbo da paz disfarçado de fogueira. É o fogo. É o calor. É, acima de tudo, um abraço pagão da comunidade global derrubando o touro de Wall Street. Zeitgeist.

Christiano Calvet (designer) 

A Cheetah tem o duplo mérito de ser a festa do Rio que apresenta sons novos para um público novo sem ser didática e ainda fazer geral se acabar de dançar sem a babaquice imóvel e blasé que normalmente impera nas pistas mais concorridas do Rio. E onde mais ouvir cumbia e kuduro por aqui? Só golaço.
João Paulo Cuenca (escritor)

“Uma utopia que eu gostaria de ver acontecer é a aliança cada vez maior entre as periferias globais e os hipsters que habitam as cidades de todo o mundo. Acho que a Dancing Cheetah é um tubo de ensaio dessa utopia e mostra como o resultado pode ser promissor. Vou continuar desejando que a mistura preparada no laboratório da Dancing Cheetah torne-se cada vez mais contagiosa e explosiva e vá abrindo caminho para conquistar tudo.
Ronaldo Lemos (advogado especialista em direitos autorais, pensador sobre novas mídias e curador)

Gosto da idéia de mudar o mundo, de misturar mundos, gosto de gente que defende a humanidade, o indivíduo. Prioriza o múltiplo e o singular com unhas e dentes, é curioso com o acontece aqui, ali e lá na casa do cacete. O mundo é azul lá de cima pra todos. O precioso você encontra onde menos imagina. A Cheetah é isso – um ato politico. Um brinde ao plural!
Rodrigo Penna (ator e DJ)

Comecei a freqüentar as edições do Dancing Cheetah antes mesmo de conhecer os responsáveis pela festa.  Amigos meus, como Lucas Santtana, Edu K e Ale Marder, passaram pelas pickups da Cheetah, dividindo (como os outros DJs convidados) não apenas diversão, mas informação do que há de melhor sendo produzido hoje (nestes tempos de transição e limites na indústria da música). Não há dúvida de que o nome da festa está relacionado à idéia de qualidade e de troca de conhecimento, é o que penso, e acho que todos concordam. Na verdade, é o evento que mais me ensinou sobre música contemporânea desde que atraquei navios e cruzadas ao Rio.
Paulo Scott (escritor)

Eu entro na Dancing Cheetah penteada e saio descabelada, entro maquiada e saio sem os cílios postiços, entro de escarpin e saio de sandália rasteira, entro com a elegância de um gatinho siamês e saio com a extravagância da macaca. A Dancing Cheetah me desconcerta, quebra meu salto. Obrigada!!
Renata Pinheiro (jornalista) 

É fechar os olhos pra estar na primeira temporada da macaca, com o Sany Pitbull, na Matriz. Tantos porres memoráveis e tantas quartas chegando atrasado no trabalho. Por causa da Cheetah, eu amo tecnobrega, cumbia, João Brasil, El Remólon, Frikstailers, Banda Calypso e Carrapicho. Tenho um carinho pra lá de afetivo com as mixtapes, algumas eu publiquei em primeira mão, na Agemda, e andam todas comigo, no Blackberry. Ainda foi na Cheetah que eu conheci meu irmão Faroff, que fez toda a ponte pra gente criar a Bootie aqui no Rio. Fechei os olhos de novo e vi dois anões com um cavalo de pau fazendo festa na pista da Matriz. Essa, a bebida quase me fez esquecer. Tive que confirmar olhando as fotos na câmera. A Dancing Cheetah mistura informação e pesquisa musical a muito bom humor. Sou apaixonado pela macaca.
Fabiano Moreira (jornalista) 

Sobre a Cheetah, funciona pra mim como uma desbravadora de novos sons. John Peel disse: “I just want to hear something I haven’t heard before”. Eu vejo na Cheetah uma resposta pra essa frase.
Leo Hazan (Tecla Music Branding)

Pra mim a cheetah é sinônimo de tropicool.
Foi por ela que pela primeira vez ouvi o termo ‘globalguettotech’ e achei graça.
Foi por ela, também, que pela primeira vez pude cantar e dançar “Cartaz”, do Fagner – em público – sem medo de ser feliz.
Enfim, a macaca é minha BFF!
Vida longa à Dancing Cheetah!
🙂
Lucia Jaimovich (Tecla Music Branding)

Pedro Seiler e Chico Dub, desde sempre, são conhecedores e estudiosos do universo musical,  sendo uma referência pra mim há muitos anos. A Cheetah é uma das pouquíssimas festas no Rio de Janeiro que busca sair da mesmice mostrando aos seus freqüentadores novas sonoridades e musicas que jamais ouviriam se não fosse ali. Isso sem falar que a festa é uma curtição só!
Dancing Cheetah rules!
Paulo Sattamini (Tecla Music Branding)

Era uma vez uma macaca que resolveu não tapar os seus ouvidos. Afinal, ela sabia que tinha muitos frutos musicais bons por aí, esperando alguém colher. E a Dancing Cheetah, uma festa animal, foi lá em cima e desceu com a cesta cheia: eram cumbias, funks, reggaes e batidões de toda a parte. Verdadeiras delícias para quem vive cansado da mesma dieta de hits pop que infesta as preguiçosas pistas do Rio. Assim, nesses dois anos de vida alternativa, crescemos juntos com ela, nos divertimos com suas brincadeiras e aprendemos que não é só o peixe que nada contra a maré. Macaca esperta essa – merece uma banana pelo heroísmo.
Carlos Albuquerque a.k.a. Calbuque (jornalista e DJ)

A macaca é genial.
De personalidade forte, barulhenta e sacolejante, é humanamente impossível ficar indiferente a ela.
Sabe aqueles clássicos vídeos de chimpanzés gritando e mexendo como loucos? É exatamente isso.
Você ri, se diverte, fica intrigado, fascinado.
Porque a macaca é gestos e sons exóticos, mas também é inteligência!
Numa época onde a maioria é feita de grandes rebanhos seguindo para o mesmo caminho, a macaca veio na contra-mão, provocando todo mundo com sua música e arte. O chimpanzé com pincéis, papéis pintados e instrumentos musicais.
Um dos meus filhos é filho dela, o AJAX Disco Ataque (Filipe Mustache & Gustavo MM). E que só nasceu pelo enorme incentivo da Cheetah.
Mãe, te amo!
Filipe Raposo a.k.a. Filipe Mustache (publicitário e DJ)

A Macaca dança, ela pula e ela cresce sem parar!
Foi sensacional ver as pessoas se acabando na edição do OPEN AIR !!
Parabéns pelos 2 anos!!!
Renato Byington (D+3 Produções)

Por alguns motivos, sou assumidamente suspeito para falar da Dancing Cheetah. Primeiro porque comungo com o djs residentes da festa o prazer e o interesse por esse repertório de pista que acabou ganhando o nome de Global Ghettotech. Depois porque participei como convidado de algumas edições importantes da festa ao longo desses 2 anos. E para finalizar, porque a Cheetah acabou se tornando uma festa muito particular no Rio. Lembro de comentar com os meninos o meu espanto em ver um monte de gente dançando a noite toda um monte de músicas que não tocam nem na internet, hahahahaha. Embaladas apenas pelas síncopes eletrônicas dos sons da periferia planetária. É como eu sempre digo: Ghettotech varrendo!!! Parabéns Chico, Pedro e João!
Lucas Santtana (músico)

Outro dia estava na fila da Cheetah na Casa da Matriz, madrugada de quarta-feira, e um gringo perdido no Rio me perguntou: “Que tipo de som toca nessa festa?”. Expliquei um pouco a coisa das periferias mundiais, cumbia, guettotech, balkan beats e tal… Ele franziu a testa, fez um expressão de “ah, tá…” e entrou. Dali a uma hora encontro o sujeito saindo da pista pra pegar uma cerveja, com cara de quem tava se acabando seriamente. Ele olhou pra mim e berrou no meu ouvido: “I still dont know what the fuck these guys are playing, but its awesome”.
Vida longa pra macaca!
William Helal (jornalista)

Melhores momentos da Dancing Cheetah são todas as músicas que dancei, uma hora em Buenos Aires, outra hora em Luanda, no Vidigal, Londres, Belém… Não lembro se teve alguma música que eu não dancei, também não lembro de gente parada, não estou lembrando de muita coisa fora a música arrasadora!
Vivian Caccuri (sound artist)

Hoje, se eu pudesse comprar ações do mercado futuro de marcas culturais do Rio de Janeiro, faria uma aquisição pesada da Dancing Cheetah.
Luis Marcelo Mendes (vendedor e gerenciador de projetos)

I Cheetah
Suzana Trajano (produtora de festas)

Entrevista com Gaby Amarantos e DJ Waldo Squash

5 Jul



DC: Quando sai o disco afinal? O que vc pode adiantar em termos de conteúdo, produção, colaborações, etc.

GA: O disco sai no início do segundo semestre, provavelmente em setembro. E o conteúdo vai ser música paraense conversando com a música mundial, com a pegada eletrônica de sempre, mas com alguns passos novos para o tecnobrega. O disco tem a direção musical de Carlos Eduardo Miranda, produção musical e arranjos de Félix Robatto e batidas do DJ Waldo Squash. As composições são de vários compositores contemporâneos da música brasileira, regravações de ícones do brega e composições minhas.

DC: O tecnobrega é cada vez mais falado no Sudeste. Ao mesmo tempo, tenho lido notícias de que o gênero e o seu universo ainda sofrem preconceito no Pará. Li também que as aparelhagens não foram consideradas patrimônico cultural do Estado pelos políticos paraenses. O que vc tem a dizer sobre isso e o vc acha que falta para o tecnobrega conquistar de vez o Brasil?

GA: Sinto que é uma questão de tempo para o ritmo se tornar uma realidade popular, 
e o disco vai ser um grande divisor de águas na existência do tecnobrega. Fui muito feliz em ter o Miranda como mentor da união entre o Félix e o Waldo. 
Tive muita sorte com esse time.  As pessoas que ainda tem preconceito com o ritmo
 aqui no Estado questionam a falta de qualidade e a cultura de aceleração dos bits,
 o que distorce a música e deixa os timbres muito agudos. Até eu levei tempo para compreender que isso é uma forma característica dos DJ’s de aparelhagem e que deve 
ser respeitada. Esse novo trabalho que vamos apresentar mostra que o tecnobrega 
pode ser profissionalizado. Gravamos em um estúdio de verdade, com todos os recursos
 que o ritmo merece e esses DJ’s de periferia que são produtores e que fazem música 
sem ser músicos, nunca possuem recursos pra que o ritmo tenha a qualidade que deve ter.
 Mas esses garotos ensinam que o tecnobrega pode ser um agente tranformador, pois muitos
 deles poderiam estar nas ruas, envolvidos com todo tipo de problema social que existe na
 periferia, mas eles estão fazendo música, do jeito deles.

E sobre a não-patrimonização é um assunto delicado, mas acho
 que ficou muito feio pra quem renegou a sua cultura. O tecnobrega é uma realidade, é um estilo de vida. E cada dia que passa fica mais forte. E acredito que o processo vai ser de fora pra dentro. Sabe aquele papo de que santo de casa não faz milagre? Pois é, é isso que 
acontece, mas sinto grande mudança, porque fora do Pará o tecnobrega só faz ganhar mais
 status de novo estilo musical brasileiro.

Waldo Squash ao lado do seu parceiro de Gang do Eletro, Maderito


DC: Você está por dentro da cena global guettotech? Acha que o tecnobrega e o tecnomelody fazem parte desse universo musical?

WS: Pra começar, o tecnobrega e o tecnomelody são a mesma coisa. Eu particularmente prefiro o nome tecnobrega por que é a raiz de toda a coisa. Quanto ao global guettotech, com certeza o tecnobrega faz parte desse cenário musical. É uma musica de periferia na qual a massa, o povo da periferia de Belém, se identifica e curte de verdade.

DC: Suas produções tem sido apontadas como as mais inovadoras do tecnobrega/ tecnomelody. Quais os softwares que você usa para compor as faixas e o você tem mais escutado ultimamente?

WS: Graças a Deus, e por conta de anos de trabalho e estudo, pude colocar minhas ideias em prática. Venho tendo êxito no meu trabalho. Procuro sempre aprender um pouco de cada software para poder desenvolver melhor minhas idéias. Eu particularmente gosto de montar e finalizar os trabalhos no Fruity Loops, mas uso muito o Vegas e o Sound Forge para gravações e edições. E ainda existem algumas funções que são desenvolvidas com melhor 
resultado no Sonar. Costumo dizer que é bom conhecer vários programas por que cada um desenvolve funções de maneiras e resultados diferentes. Aí fica a escolha de quem está produzindo. No YouTube mesmo tem muitas video aulas sobre o Fruity Loops, é só pesquisar.

Quanto a gênero musical que gosto de ouvir, o brega, a cumbia, e os flashbacks são ritmos que não faltam no repertório do meu celular quando estou viajando.

DC: Quais são os planos futuros para a Gang do Eletro?

WS: Primeiramente, é finalizar o nosso 1° trabalho profissional (CD) para assim então dar prosseguimento. O projeto Gang do Eletro é uma mistura ousada do tecnobrega com os sons mais agressivos do eletrohouse, uma mistura que deu certíssimo em Belém.
 Quando o eletromelody toca a galera “pira”, sobem em cima do ombro uns dos outros para tremer (expressão muito usada na dança do eletromelody). Houve um tempo em que as autoridades locais proibiramas aparelhagem de tocar os eletromelodys pelo fato de muitas musicas falarem das equipes (fanclubes), o que não influenciou na expansão do gênero. Estamos na luta como qual quer outro artista, mas o mais importante é que fazemos 
aquilo que gostamos e nos divertimos com o que fazemos. Quando você trabalho com o que gosta, acaba fazendo com carinho. E nós procuramos sempre mostrar as nossas músicas com expressões verdadeiras, brincadeiras, gírias da periferia, muitas vezes usamos até o português errado. E é o que acaba deixando a musica mais interessante…


Saiba mais sobre a festa de 02 anos da Dancing Cheetah

Dancing Cheetah – festa especial de 02 anos!

24 Jun

No dia 09 de julho, no Cabaret Kalesa, a festa de global guettotech (ritmos eletrônicos de periferias globais) Dancing Cheetah realiza uma edição especial em comemoração aos seus 02 anos de vida. A partir das 23 horas, os Djs residentes Chico Dub e Pedro Seiler recebem, diretamente de Belém do Pará, a musa do tecnobrega Gaby Amarantos, e o DJ Waldo Squash, produtor mais importante do gênero atualmente.

Primeira festa nacional dedicada a música contemporânea produzida nos países latinos e africanos, a Dancing Cheetah nos últimos 2 anos tem contribuído para a disseminação de uma cultura pouco difundida no Sudeste do país e que geralmente sempre sofreu preconceito. Hoje, a Cheetah é uma referência no Brasil, tendo inclusive influenciado o nascimento de festas semelhantes no Brasil. 

___Sobre Gaby Amarantos e Waldo Squash___

Gaby vive com total consciência o processo de fixar uma identidade à qual o resto do Brasil ainda não está acostumado (talvez nem o próprio Norte do país esteja), a do artista brasileiro firmemente ancorado em suas origens indígenas. Gaby Amarantos é a artísta brasileira que mais entende de identidade neste início do século 21.
Pedro Alexandre Sanches

Em 2000, Gaby Amarantos caiu nas graças do brega se tornando uma pop-star da música paraense, recebendo grande reconhecimento por conta de sua banda, a Tecno Show. Através do tecnobrega, Gaby, apelidada de “A Beyoncé do Pará”, já participou do Fantástico, Altas Horas, Caldeirão do Huck e Domingão do Faustão. É sem sombra de dúvida o nome mais conhecido do tecnobrega, tendo tocado inclusive na posse da presidente Dilma.

Gaby se prepara gravar seu primeiro CD solo com a direção musical de Carlos Eduardo Miranda. O disco terá misturas de tecnobrega com ritmos como carimbó, guitarrada, bangüê, samba de cacete e reggaeton, gerando uma musicalidade única no país e no mundo.

O DJ Waldo Squash é o produtor mais inovador do tecnobrega. Seja em produções próprias ou nas bases para músicas da própria Gaby Amarantos, Waldo criou uma mistura entre o tecnobrega e o eletro. O ritmo, batizado de eletromelody (ou tecnomelody), dialoga com o movimento internacional global guettotech e apresenta composições sobre a realidade dos subúrbios de Belém. Waldo Squash também está a frente grupo paraense Gang do Eletro, surgido em 2008, e que também conta com Marcos Maderito. A Gang tem atraído a atenção da mídia, sendo citado em veículos de imprensa como Rolling Stone Brasil e Billboard.


João Brasil presents DJ Waldo Squash

Tracklist:

1 – Vou passar o sal (Melô do Ipitipiti) (c/ Gang do Eletro)
2 – Eletromelody Abracadabra
3 – Pitch Bull (c/ Gang do Eletro)
4 – Eletromelody da Francesinha
5 – Ai ai ai do príncipe
6 – Tecno-Cumbia Colombiana
7 – Capetinha da night (c/ Banda Eletro Hits)
8 – Mastigando Humanos (c/ Daniel Peixoto)
9 – Tecno-Cumbia do Moraes
10 – Eletro Meninos do Pop

Global Guettotech na MTV

14 May

Chico Dub fez uma participação bem no iniciozinho do Extrato MTV sobre o tema. Ficou bacana!

Dancing Cheetah na Casa da Matriz: janeiro 2011

10 Jan


Dancing Cheetah

tropical/ global guettotech/ nu africa

terça, 18/01 – Lucas Santtana e Maga Bo
terça, 25/01 – Marina Gasolina, DJ Bobet Geant (França), Ajax (Gustavo mm & Filipe Mustache)

residentes: Chico Dub, Pedro Seiler e João Brasil

23:00
R$ 25,00
R$ 15,00 (com nome na lista amiga)

Casa da Matriz
Rua Henrique de Novaes, 107 – Botafogo
www.matrizonline.com.br

arte do eflyer: Mariana “Meteoro” Camberos

Macacada, sua festa preferida está de volta! E olha que é só o esquenta, hein, porque em março a nossa Cheetah comemora 2 anos em alto estilo!

Nomes para a lista amiga: dancingcheetah09@gmail.com

Hermano Vianna sobre o Perc Pan 2010

3 Oct

Hermano Vianna – Utilidade pública*

Não gosto de quem legisla em causa própria. E de quem utiliza sua coluna para fazer propaganda de seus próprios trabalhos… Mas o texto hoje é utilidade pública. Este fim de semana em Salvador e no início da semana que vem aqui no Rio, com um show avulso em São Paulo, vai acontecer o festival PercPan. Junto à diretora Beth Cayres e com Carlos Galilea, jornalista do “El País” e um dos maiores conhecedores da música mundial e brasileira, fiz a curadoria desta edição. Já trabalhei em outros festivais.
Sei como uma boa seleção de atrações é fruto de muita batalha, mas também questão de sorte. Depende daquela banda querer vir ao Brasil, aceitar o nosso cachê, nossas datas. A América do Sul nunca é prioridade no mercado de shows.
Muitas vezes, fazemos planos perfeitos. No final do processo, chegamos a uma escalação totalmente diferente. Porém, neste PercPan, todos os nossos melhores sonhos se tornaram realidade. Apesar de serem nomes desconhecidos do grande público (e é por isso que me sinto na obrigação de escrever este texto), não pode haver festival mais bacana, em qualquer lugar do mundo. Se você tem algum interesse por música, por favor — para o seu próprio bem — não perca nenhum show. É oportunidade rara para ver nomes que dificilmente se apresentarão no Brasil novamente.
Não estou exagerando.

Sou o maior crítico do que faço, sem piedade: procuro defeitos em tudo. Mas é difícil encontrar algum detalhe de que não gosto neste PercPan. Não saberia indicar a melhor noite, ou uma única atração. O conjunto é o mais interessante, a proximidade entre estilos diferentes. Vou passar a fazer comentários específicos sobre cada atração. Quem quiser escutar as músicas antes, tendo que escolher ao que vai assistir, pode entrar no site do festival, onde encontrará áudio e vídeo, além de mais informações.

Jon Pareles, o chefe da crítica musical do “New York Times”, já resumiu de forma provocadora: “A Orchestre Poly-Rhytmo de Cotonou, do Benin, pertence à lista muito pequena das melhores bandas de funk do mundo.” Completo: para mim é tão boa quanto a banda de James Brown no início do anos 70 ou a de Fela Kuti no final da mesma década. Era, até bem pouco tempo, um segredo africano. Foi preciso que um colecionador de vinil tenha visitado Cotonou à procura dos seus ídolos para descobrir que a banda continua na atividade, com a mesma força há quase 50 anos. Foi só em 2009 que fez seus primeiros shows na Europa e em 2010 nos Estados Unidos, para plateias eufóricas. Por aqui, este primeiro show tem significado especial por conta dos fortes laços culturais que unem as histórias do Brasil e do Benin, com tantas trocas no século XIX (e antes) e poucas recentemente. O público brasileiro vai identificar elementos poderosos de candomblé e tambor de mina logo no início puramente percussivo do show. E depois, quando os instrumentos elétricos atacarem, vai cair num transe afrofunk de sofisticação absoluta.

O Hypnotic Brass Ensemble, de Chicago, é também uma das melhores bandas funk do mundo, apesar de tocar apenas com sopros e bateria. Não importa se toca num palco ou na rua, onde se apresenta sem microfones no meio do povo: seu suingue é irresistível, atraindo cada vez maior legião de fãs. Como os componentes do Gorillaz, que convidaram o Hypnotic para tocar em seu último disco e em sua próxima excursão. O repertório inclui versões para Fela Kuti, Outkast, Jay-Z e até Art of Noise.

Buraka Som Sistema é um coletivo luso-angolano que levou o kuduro, música eletrônica criada nas favelas de Luanda, para os mais influentes festivais do mundo e para fusões com house, dubstep e funk carioca, tendo gravado inclusive um grande sucesso com a nossa Deise Tigrona.

O Nortec Collective reúne vários artistas baseados em Tijuana, na problemática fronteira México/EUA. A visão de mundo fronteiriça, inclusive a política de repressão/incentivo à imigração ilegal , influencia sua música, um cruzamento alucinado da eletrônica com o folclórico. O resultado muitas vezes parece um Kraftwerk de sombreiro, embriagado pela dose certa de margaritas.

Não sei se a banda gosta desta comparação, mas é boa para atrair público: o Nova Lima está para a música afro-peruana assim como o Bajofondo ou o Gotan Projetc estão para o tango. A combinação de pop e eletrônica com o tradicional é feita com elegância, sem perder a potência dançante jamais.

As Tucanas são mulheres que, em Portugal, misturam tradições musicais de todo mundo lusófono criando novos instrumentos de percussão e batucando também em seus próprios corpos. A Kocani Orkestar faz a festa misturando tradições ciganas e dos Balcãs.

Fui diminuindo os comentários sobre cada atração pois já estou na fronteira do espaço desta coluna. Não se trata de preferência. E ainda nem falei dos convidados brasileiros e dos apresentadores.

A complexa fusão bigbandno-candomblé da Orkestra Rumpilezz, as novas big bands paulistanas reunidas no Movimento Elefante, o pós-samba-duro-rap do EdCity, o carnaval indie do Bloco Cru: todos eles merecem colunas inteiras para comentar seus trabalhos.

E os apresentadores são os bateristas Charles Gavin, João Barone e Igor Cavallera. Este último leva seu MixHell para a festa do Caneção.

O festival quer ser o MixCéu. Bom rebolado, em todos os ritmos!

*da coluna do Hermano publicada todas as sextas no Jornal O GLOBO.

Poly-Rythmo no Perc Pan 2010

29 Sep

“Essential Listening” – Gilles Peterson

“Hypnotic Afro-funk. Unstoppable!” New York Times

“We became fans of the Beninese group. They share a sound, so funky, so soulful voodoo! ” – Nick McCarty, guitarist of Franz Ferdinand

Se você até este momento ainda não foi convencido de que o show da Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou, no Perc Pan, é simplesmente a coisa mais sensacional que poderia acontecer neste final de 2010… é porque você não deve estar batendo muito bem!

É uma chance única de conhecer um dos grupos mais espetaculares que já surgiram na história da música mundial. Veja bem. Não estamos falando de um dos maiores grupos do Bénin. Ou de um dos maiores grupos da África. Em caps: ESTAMOS FALANDO DE UM DOS GRUPOS MAIS ESPETACULARES DA HISTÓRIA DA MÚSICA MUNDIAL.

A história da Poly-Rythmo é digna de conto de fadas. Uma vez famosa e reconhecida no oeste inteiro da África, dona de hits e mais hits, além de tours com artistas do porte de Fela Kuti, Miriam Makeba e Angelique Kidjo, a banda quase sumiu do mapa no início dos anos 80, depois que o marxista Mathieu Kérékou liderou um golpe e assumiu o governo de Bénin. Inclusive, vários membros originais do grupo faleceram. Crise econômica, censura cultural e desemprego foram algumas das características da ditadura de Kérékou. A banda sobreviveu, tocando aqui e ali, de vez em nunca.

Corta para alguns anos atrás, quando algumas espertas gravadoras começaram a lançar coletâneas da Poly-Rythmo. Mais ou menos na mesma época, um curioso radialista francês resolveu ir atrás do gupo. Trabalho de detetive, aliás, pois as pistas anunciavam que o grupo não existia mais. Depois de algum tempo, Elodie Maillot finalmente encontrou os remanecentes da Poly-Rythmo. O resultado desse encontro gerou (em 2009) a primeira tournê da Poly-Rythmo na Europa, 41 anos depois de sua formação.

E aí, vai perder? Sacou a responsa?

A Orchestre Poly-Rythmo toca no Perc Pan 2010 nos seguintes dias:

30/09/2010 no Teatro Castro Alves, Salvador
04/10/2010 no Oi Casa Grande, Rio

Os ingressos estão a venda no ingresso.com e (Rio) na bilheteria do Teatro Oi Casa Grande. Maiores infos no site do Perc Pan.

Buraka Som Sistema_entrevista_Perc Pan 2010

27 Sep

Leia a entrevista que o Perc Pan realizou com DJ Riot, um dos membros do Buraka Som Sistema.

– Perc Pan: Vocês espalharam o kuduro pelo mundo quando ainda só tinham um EP editado. Como encararam essa ascensão tão rápida?

BSS: Fomos um pouco apanhados de surpresa, mas encaramos essa ascensão como uma procura mundial de coisas frescas e novas. O mundo estava um pouco saturado de produtos que surgiam sempre dos mesmos pólos de interesse (Nova Iorque, Londres, Paris) e a internet veio abrir horizontes (e ouvidos) que permitiram ao público ouvir coisas interessantes feitas pelo mundo fora. Os Buraka foram apenas um dos fenômenos que surgiram nessa altura. Foi a música certa na hora certa.

– Perc Pan: Podemos dizer que é a versão do Buraka Som Sistema para o kuduro. Que influências acrescentaram ao kuduro original? A que pode ser atribuído o imenso sucesso do kuduro pelo mundo?

BSS: Acho que no nosso caso o Kuduro é apenas uma das nossas influências. Dentro da banda ouve-se heavy hetal, r’n’b, hip hop, rock, drum’n’ bass, techno etc, e nós gostamos de misturar tudo o que faça sentido na nossa música. Por exemplo: se fizer sentido colocar um loop de baile funk num determinado som, nós vamos fazê-lo.

– Perc Pan: Vocês estreitaram as relações culturais entre África e Portugal. Como vêem isso? Como se vêem nessa posição?

BSS: Nós sentimos que somos apenas a ponte entre a cultura pop e a cultura underground africana que sempre existiu e que é muito presente em Portugal, só isso. Não fizemos de propósito mas acabou acontecendo.

– Perc Pan: O funk carioca bebe da mesma fonte do kuduro, a África e a batida eletrônica. O que conhecem e o que acham do funk carioca?

BSS: Assim como no kuduro, os primeiros temas de baile funk foram versões de músicas que vinham de fora. É claro que o Dj Marlboro e a própria Deize Tigrona foram os primeiros nomes a passar a fronteira do Brasil para o mundo. Depois, mais tarde, e num contexto mais de fusão, surgiram nomes como o Bonde do Rolê ou até mesmo o Diplo, que acabaram por despertar mais pessoas para o fenômeno.

– Perc Pan: Qual a expectativa para tocar no PercPan, no Brasil?

BSS: A expectativa é grande! Estivemos juntos com os Mixhell e eles fizeram questão de fazer aumentar as nossas expectativas em relação ao Percpan. Trata-se de uma ocasião única para ouvir alguns dos melhores artistas do mundo e é uma honra estar aí no meio!

– Perc Pan: Caetano Veloso, um músico famoso do Brasil, já incluiu referências do kuduro numa música sua. Souberam disso? Como veem o fato de já haver gente conectada aqui com esse tipo de som?

BSS: Por acaso já tinha visto um video no Youtube ! Acho maravilhoso. Acho que se o Brasil já está aberto ao kuduro e seus derivados. Temos todas as condições para duas datas espetaculares!

– Perc Pan: Vocês são da região da Buraca? Por quê a escolheram para batizar o grupo?

BSS: Eu e o J-Wow crescemos na cidade da Amadora, nos subúrbios de Lisboa. Dentro da Amadora existem diferentes zonas e apesar de eu ser de uma zona chamada Reboleira e o J-Wow ser de uma zona chamada Venteira, achámos que Buraca (que também é outra zona da Amadora) tem um som bem mais engraçado do que Venteira Som Sistema!

O Buraka Som Sistema toca no Perc Pan 2010 nos seguintes dias:

06/10/2010, Canecão (Rio)
07/10/2010, Via Funchal (São Paulo)

Os ingressos estão a venda no ticketronic.com.br (Rio). Maiores infos no site do Perc Pan.

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