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Novalima_Perc Pan 2010

16 Sep

Não se assuste com o rótulo de “Gotan Project peruano”, algo que certamente, você, leitor, irá se deparar algum dia. É verdade que a banda (afiadíssima) também adapta ritmos folclóricos do seu país, no caso o Peru, à eletrônica de baixos teores. Mas o Novalima é muito mais do que isso! No calderão do grupo, uma espécie de combo afro-peruano eletrônico, tem afrobeat, reggae, salsa e hip hop.

Aqui está um set com cerca de 30 minutos que mostra muito bem a pegada da banda. O set list e os comentários abaixo são dos próprios membros

1.- “La danza de los Mirlos (novalima remix)” *unreleased. Los Mirlos traditional 70’s cumbia reversion by Bareto, cumbia revival band from lima, remixed by novalima)
2.- “Macaco (novalima remix)” *unreleased – Batata y su Son Palenquero , one of the greatest afro colombian artists, our friend Lucas Silva “Champeta Man” gave us the tracks of this great trad song to remix)
3.- “El abuelo (novalima remix) – Bareto” *unreleased. Made popular by Juaneco y su Combo in the 70’s, another cumbia reversion by Bareto remixed by novalima
4.- “Tumbala” (da lata remix) this is a great afrobeat-brazilian remix by chris frank whom we’ve known since the “afro” sessions in london back in 2004, with additional vocals by da lata’s nina miranda. This track digs out cotito’s “lost verse” from tumbala which somehow didnt make it into the original version in the album
5.- “el niche” sabor y control. Our favorite peruvian salsa dura band, led by bruno majer (who sings mujer ajena in coba coba) and constantino, novalima’s timbales player
6.- “bandolero (kv5 remix)” great remix in a jamaican stylee by marc lee from london based kv5. Previously unreleased
7.- bomba (coba soundsystem) this track was the last track we finished before releasing coba coba, coba soundsystem is a.k.a. novalima dj’s rpp,rm,gs. Bomba plena an electro latin dancefloor groove
8.- “tumbala (oreja remix)” seiji’s house rework for tumbala

Nova Lima – Coba Guarango

Nova Lima – Yo voy

O Nova Lima toca no Perc Pan 2010 nos seguintes dias:

30/09/2010, Teatro Castro Alves (Salvador)
04/10/2010, Oi Casa Grande (Rio de Janeiro)

Os ingressos estão a venda no ingresso.com e (Rio) na bilheteria do Teatro Oi Casa Grande. Maiores infos no site do Perc Pan.

Chicha!

30 Apr

A chicha é uma espécie de versão peruana da cumbia, basicamente uma mistura do estilo com surf rock e rock psicodélico. Surgida nos anos 60, a chicha, também é conhecida como cumbia amazônica.

Depois de baixar a  clássica coleta “The roots of chicha: psychedelic cumbias from Peru”, você, caro leitor, precisa ouvir este mini mix do argentino Sonido Martines, disponibilizado no ótimo La Congona.

Sonido Martines – El sonambulo orientalista

Outra bela dica é baixar os podcasts do La Caja de Pandora, todos excelentes!

DJ Vivi Caccuri

24 Jul

dancing cheetah VIVIAN

Vivian Caccuri é artista plástica e pesquisadora em arte eletrônica, atualmente trabalhando com performance e sound-art. Vencedora do prêmio Rumos Arte Cibernética (Itaú Cultural) pela instalação sonora “Canções Submersas”, Vivian já trabalhou como coordenadora de conteúdo e consultora técnica do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), tendo já participado de oito edições do evento. Bom, já deu pra ver que a mina é sinistra, né? Mas não para por aí, não. Além disso, a Vivian também é DJ, assumindo a alcunha de Vivi Caccuri.

Conversando com a Cheetah, ela diz que odeia o termo “world music”. Acha que isso é jogar tudo que não é americano ou europeu em um balaio só. Prefere olhar com mais cuidado a música que faz todo mundo dançar nas periferias das grandes cidades do mundo e compor seus sets como uma pesquisadora. Para a Dancing Cheetah, elaborou um mix de músicas que desafiam classificações por serem mestiças, que reinterpretam diferentes gêneros em suas batidas e são sobretudo uma atitude de afirmação de outros mundos que não estamos acostumados a olhar ou escutar.

A pedidos, Vivi selecionou 5 sons que tem lhe chamado a atenção. Vamos lá:

“Rye Rye é uma ninfeta lindíssima de 19 anos de Baltimore – Maryland. Simplesmente incrível!  Ela é o novo investimento da M.I.A. no selo que a diva do ghettotech acabou de lançar. Mal posso esperar para o álbum sair.”

“Cada vez mais gosto de chicha, a versão peruana e psicodélica da cumbia. Ouvi a coletânea “Roots of Chicha” e me apaixonei: é tudo dançante, doce, romântico! Mas como todo ritmo latino-americano, a chicha também tem toques de safadeza.”

“Esse moço vem de uma cultura que é talvez a mais discriminada e diminuída hoje em dia: a chinesa. Sulumi tem formação musical de conervatório, mas é adepto da música de videogame 16bit. O cara faz reviravoltas inacreditáveis e agressivas dentro daquela estética e é sempre apontado como destaque da nova geração de artistas de Pequim.”

“É até engraçado, mas até os escandinavos estão inventando seu próprio gueto agora. O skwee, um ritmo eletrônico que mistura hip-hop oldschool com electro, minimal e synths super bregas apareceu na Finlândia já com ares de “Yo!” (em finlandês).”

“Como artista plástica, acho os vídeos dos sonideros mexicanos uma das coisas mais interessantes acontecendo no audiovisual atualmente. E como fã da nova música das periferias globais, acho o sonidero mexicano uma loucura surrealista, cheia de textos e efeitos futuristas retrôs fantásticos. O som para uma rave indígena-mestiça de primeira!”

Nova Lima

7 Jul

Não se assuste com o rótulo de “Gotan Project peruano”, algo que certamente você, leitor, irá se deparar algum dia (o Nova Lima está todo bookado na Europa e Estados Unidos e deve gerar boas críticas por lá).

E ok… É verdade que a banda (afiadíssima) também adapta ritmos folclóricos do seu país, no caso o Peru, à eletrônica de baixos teores. Mas a Cheetah considera reducionismo fazer comparações desse tipo. Portanto, ouça o Nova Lima e tire suas próprias conclusões!

Aqui está um set com cerca de 30 minutos que mostra muito bem a pegada da banda. O set list e os comentários abaixo são dos próprios membros (via La Congona).

1.- “La danza de los Mirlos (novalima remix)” *unreleased. Los Mirlos traditional 70’s cumbia reversion by Bareto, cumbia revival band from lima, remixed by novalima)
2.- “Macaco (novalima remix)” *unreleased – Batata y su Son Palenquero , one of the greatest afro colombian artists, our friend Lucas Silva “Champeta Man” gave us the tracks of this great trad song to remix)
3.- “El abuelo (novalima remix) – Bareto” *unreleased. Made popular by Juaneco y su Combo in the 70’s, another cumbia reversion by Bareto remixed by novalima
4.- “Tumbala” (da lata remix) this is a great afrobeat-brazilian remix by chris frank whom we’ve known since the “afro” sessions in london back in 2004, with additional vocals by da lata’s nina miranda. This track digs out cotito’s “lost verse” from tumbala which somehow didnt make it into the original version in the album
5.- “el niche” sabor y control. Our favorite peruvian salsa dura band, led by bruno majer (who sings mujer ajena in coba coba) and constantino, novalima’s timbales player
6.- “bandolero (kv5 remix)” great remix in a jamaican stylee by marc lee from london based kv5. Previously unreleased
7.- bomba (coba soundsystem) this track was the last track we finished before releasing coba coba, coba soundsystem is a.k.a. novalima dj’s rpp,rm,gs. Bomba plena an electro latin dancefloor groove
8.- “tumbala (oreja remix)” seiji’s house rework for tumbala

Coba Coba, disco mais recente do Nova Lima, ganhou uma versão remixada. Muitas escorregam pro perigoso terreno da músiquinha-eletrôniquinha-gostosinha-housesinha, se é que você entende. Ouça/ baixe o disco inteiro aqui.

Um breve panorama #1 – CUMBIA

24 Mar

Este post inaugura no Blog da Cheetah panoramas wikipedianos sobre gêneros musicais caros ao universo da macaca. Pra começar a seção “Um breve panorama”, escolhemos a cumbia, gênero mais popular de vários países da América Latina e que hoje ameaça uma dominação mundial.

colombia

A cumbia nasceu na região caribenha do que hoje é a Colômbia, principalmente nas províncias de Cartagena e Barranquila, durante o período de colonização espanhola. Tentando preservar suas tradições culturais, escravos trazidos da África pelos espanhóis começaram a usar sua danças típicas e forte percussão com intuitos de flerte. Nessa época, a cumbia (que tem seu nome derivado do termo cambé, que significa festa) era mais conhecida como dança, já que a música era apenas percussiva – tambores e clavas, Numa segunda fase, influenciados pela música dos nativos habitantes de regiões montanhosas e seus instrumentos de sopro, criou-se no início do século 19 uma mistura tal que fez surgir a figura do gaitero, o intérprete. Posteriormente, surge o violão e o acordeón dos espanhóis, acrescentando aí mais um elemento numa mistura sonora que conquistou no século 20, Panamá, Mexico, Argentina, Chile, El Salvador, Honduras, Equador, Perú, Bolívia, entre outros, cada qual com a sua versão particular do gênero.

chicha libre

No Perú, por exemplo, surgiu nos anos 60 uma variação da cumbia chamada chicha. Basicamente, uma mistura de cumbia e rock, principalmente o surf rock de Dick Dale, só que com uma pegada andina nas melodias. Seleciono aqui três clássicas cumbias colombianas dos anos 60, sonoridade tida como supra-sumo pelos críticos especializados. Na sequência, destaco também duas chichas coletadas na obra prima “The roots of chicha: psychedelic cumbias from Peru”. Por conta dessa coletânea, vejam vocês, até mesmo os norte-americanos tem explorado a sua peculiar sonoridade. Entrem no myspace do Chicha Libre e confiram.

Armando Hernandez – La Zenaida

Luiz Pérez – La morena encarnacion

Alfredo Gutierrez – El diario de un borracho

Los Mirlos – El milagro verde

Los Mirlos – Sonido Amazonico

Até o século 20, a cumbia era conhecida como uma dança vulgar praticada pelas camadas economicamente mais baixas da sociedade. Isso permaneceu pelo menos até o meio do século passado, quando o termo “cumbia” passou a ser mais assossiado a música. Ainda assim, o preconceito aristocrata permanece até hoje, mesmo com a explosão popular que tomou conta do gênero na segunda fase do século 20. Durante muito tempo, seus temas não saiam muito de histórias de amor, romances impossíveis tipo novela mexicana, experiências do cotidiano, enfim, música pop. Eis que surge na Argentina uma nova sonoridade a partir dos anos 2000 através da cumbia villera, ou a cumbia das favelas. Cansados dos mesmos temas e sentindo falta de músicas que retratassem de fato a (dura) vida nos guetos, a cumbia villera surge, talvez incluenciada pela grave crise que assolou aquele país, e inaugura uma espécie de fase gangsta rap na cumbia. E tome música falando de armas, crime, tráfico e sexo.

Pablo Lescano, do Damas Gratis, é, talvez, o grande herói da cumbia villera, o cara que moldou esse tipo de som.

é um show de rock? de hardcore?? de speed-trash-metal??? não! é um show do damas gratis!!!

é um show de rock? de hardcore?? de speed-trash-metal??? não! é um show do damas gratis!!!

Damas Gratis – Re loco re mamado

Damas Gratis – Alza la manos

Quem duela pau a pau com o Damas Gratis em termos de popularidade na Argentina é o Pibes Chorros. Reparem como cai por completo o estereótipo que temos dos argentinos – Cadê as louras com carinha de européia? E os mullets??

Pibes Chorros – Que calor

Pibes Chorros – Pamela

Aqui um video com Pibes Chorros e Damas Gratis duelando num programa de auditório argentino!!

Pibes X Damas

E pra fechar, vamos mostrar duas das maiores paixões portenhas: cumbia e futebol num vídeo do Yerba Brava

sonidero nacional

Só que foi do México, mais precisamente de Monterrey, estado com uma cena fortíssima de artistas de cumbia, que surgiu o hit que levou a cumbia ao crossover internacional, muito por causa do filme Babel. Com produção de Toy Selectah, membro de um dos grupos mais famosos de hip-hop da história mexicana, o Control Machete, “Cumbia sobre el rio”, de Celso Piña, é uma bomba poderosa.

Celso Piña – Cumbia sobre el rio

Celso Piña – El tren (tanto na música acima quanto em “El Tren” os vocais estão a cargo do venezuelano Blanquito Man, da seminal banda King Changó)

tormenta tropical
Toy Selectah, também membro do Sonidero Nacional e hoje parte do cast da Mad Decent, do Diplo, tem presença ativa num dos discos mais sensacionais dos anos 2000 em todos os estilos, o “Mexican Sessions”, dos ingleses do Up Bustle & Out. Disco que dá um panorama muito bom da cena de Monterrey, recheada de flertes com o reggae, o hip-hop e o reggaeton.

Mundo Insolito – Toy Selectah/ Control Machete Remix

Up, Bustle & Out – Cumbion Mountain

zzk
É também da Argentina, através do coletivo Zizek, ou ZZK, que vem uma espécie de cumbia digital que não tem medo algum de absorver outros estilos, flertando com tudo quanto é guetto music, funk carioca inclusive. Festa, selo, e agência (os três beem hypados) com vários artistas portenhos liderados por Villa Diamante, o ZZK produz os sons mais interessantes da cumbia hoje em dia. Por conta do crossover colossal com outros estilos – os Zizeks também são muito bons nos mashups –, a cumbia está tomando conta dos Estados Unidos na forma do label Bersa Discos e da sua festa regular em São Francisco, a Tormenta Tropical. Mês que vem, o ZZK estará representando a cumbia no mais importante festival de música hoje, o americano Coachella. Se hoje já tem até holandês fazendo cumbia, o sensacional Sonido Del Principe, depois do Coachella el cielo es el límite.

Termino este breve panorama cumbiambero com 4 pepitas do Zizek crew, uma delas com uma certa cantora que vocês devem conhecer, e um petardo subsônico do Sonido Del Principe via Bersa Discos. Cuuuuuuuuumbia!!!

frikstailers

Frikstailers – Ta duro kuduro

El Trip Selector – Cumbia del piano triste

El Remolon feat. Marina – Vem que tem

Sonido del Principe – El principe

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