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CHAMPETA

8 Aug

champeta3

Tanto a cumbia quanto o vallenato colombiasnos são gêneros aonde a presença africana, européia e indígena é igualmente importante. Mas a champeta, ritmo que nasceu nos anos 90 e que hoje é febre entre as camadas mais populares da Colômbia, é basicamente negra. Desenvolvido nas periferias de Cartagena durante os picós (de pick ups, festas promovidas ao ar livre), a champeta, apresenta influências dos rituais religiosos caribenhos, ragga jamaicano, o compas do Haiti, reggaeton portoriquenho e a música africana.

LUISTOWERSYCOLOMBIAFRICA

Nos picós, boa parte das músicas tocadas antes da criação da champeta tinham origem africana. Essas músicas faziam tanto sucesso que os empresários dos picós passaram a contratar músicos colombianos para adaptar as músicas para o espanhol e assim vencer a concorrência. Tocando a sua maneira soukous (Congo), highlife (Gana, Nigéria), juju (Nigéria) e mbquanga (África do Sul), os colombianos desenvolveram a pegada afro necessária para depois misturar com todo o resto e desenvolver a champeta.

El Sayayin – La Voladora

Mr. Black –  Los trapitos a el agua

Elio Boom – Las Turbinas


Perreo Zuliney – La rajita

Papoman – El vacile

Rapidinhas #2

24 Jun

–Cumbia jazz–

charles mingus

Jazz e Cumbia? Porque não?! Suite de 28 minutos gravada em 1976, Cumbia & jazz fusion, de Charles Mingus, é animal. 

Charles Mingus – Cumbia & jazz fusion


–Chorando se foi

Loalwa Braz, ex-vocalista do Kaoma, estará no Brasil até a segunda metade de julho para gravar um DVD comemorativo aos 20 anos do surgimento da lambada. João Brasil, cadê você??


–O mambo dos Mutantes–

Yo te quiero mi querida
Sin tus besos non soy nada
Baila el mambo
que yo canto a ti

Uma homenagem ao Santana.

Mutantes – Cantor de mambo


–Grupo Chambelán–

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Quem comprovar que existe grupo de cumbia mais tosco que o Grupo Chambelán, do México, ganha vips para a Dancing Cheetah, em julho, na Casa da Matriz.

Grupo Chambelán – El metrosexual


–Vem com tudo e o reggaetón para as massas–

Ídolo da macaca e leitor deste blog, Hermano Vianna está fazendo um belíssimo trabalho a frente dos textos do Vem com Tudo!, programete dentro do Fantástico que fala de novas tendências de gosto e comportamento no Brasil. No blog do programa, Hermano já citou o ZZK e escrevou post sobre o dancehall. É esse de lá que a Cheetah tirou essa pérola do MC Papo, um fenômeno do YouTube: seu outro hit, Piriguete tem mais de 9 milhões de hits. É o pop-reggaetón para as massas! No Brasil!

Um breve panorama #2 – GUITARRADA

12 Apr

lambadasdasquebradas1978

Desde a primeira festa, a Cheetah vem tocando guitarrada para animar a pista. Se foi recebida pelos presentes com algum espanto na primeira edição, depois todos dançaram bastante esse delicioso ritmo paraense.

A guitarrada foi criada por Mestre Vieira, e seu primeiro registro em disco é de 1978 (Lambadas das Quebradas). O ritmo pode ser considerado uma fusão de carimbó, cumbia, lambada, merengue e choro. A guitarra, sempre mais a frente, puxa os ritmos suingados, sejam eles amazonicos ou caribenhos. Mestre Vieira morava em Barcarena, onde não existia luz elétrica. Ele tocava bandolim, banjo, cavaquinho mas se encantou mesmo foi com a guitarra. Para poder tocar, ele construiu um amplificador, fez uns gatos e se tornou um monstro da guitarra. Foi ele quem ensinou Chimbinha (Banda Calipso) a tocar.

Mestre Curica, também um dos “Mestres da guitarrada“, toca carimbó desde 1971. Ele sempre veio com seu banjo turbinado tocar fogo nos salões. O terceiro mestre é Aldo Sena. Esses 3 craques, que foram re-descobertos por Pio Lobato, músico, integrante da banda Cravo Carbono e um estudioso do genero, também tiveram apoio do Dj Dolores, que ano passado prestou a sua homenagem com o lançamento do disco Música Magneta. Eles certamente continuarão frequentando TODAS edições da nossa festa da macaca.

Mestre Vieira – Lambada da bicharada

Aldo Sena  – Toca aí

charque

A guitarrada tem alguns discípulos mais recentes, como o La Pupuña, também do Pará. Essa banda, inspirada nos Mestres citados acima, vem representando muito bem a nova geração da guitarrada. Seu belo disco é adorado pela Cheetah. Adorado também é Charque side of the moon, releitura do clássico disco do Pink Floyd feita por Luiz Félix, guitarrista do La Pupuña. Charque reúne a elite da música paraense atual e até mesmo Mestre Vieira.

Charque Side Of The Moon – Money

Um breve panorama #1 – CUMBIA

24 Mar

Este post inaugura no Blog da Cheetah panoramas wikipedianos sobre gêneros musicais caros ao universo da macaca. Pra começar a seção “Um breve panorama”, escolhemos a cumbia, gênero mais popular de vários países da América Latina e que hoje ameaça uma dominação mundial.

colombia

A cumbia nasceu na região caribenha do que hoje é a Colômbia, principalmente nas províncias de Cartagena e Barranquila, durante o período de colonização espanhola. Tentando preservar suas tradições culturais, escravos trazidos da África pelos espanhóis começaram a usar sua danças típicas e forte percussão com intuitos de flerte. Nessa época, a cumbia (que tem seu nome derivado do termo cambé, que significa festa) era mais conhecida como dança, já que a música era apenas percussiva – tambores e clavas, Numa segunda fase, influenciados pela música dos nativos habitantes de regiões montanhosas e seus instrumentos de sopro, criou-se no início do século 19 uma mistura tal que fez surgir a figura do gaitero, o intérprete. Posteriormente, surge o violão e o acordeón dos espanhóis, acrescentando aí mais um elemento numa mistura sonora que conquistou no século 20, Panamá, Mexico, Argentina, Chile, El Salvador, Honduras, Equador, Perú, Bolívia, entre outros, cada qual com a sua versão particular do gênero.

chicha libre

No Perú, por exemplo, surgiu nos anos 60 uma variação da cumbia chamada chicha. Basicamente, uma mistura de cumbia e rock, principalmente o surf rock de Dick Dale, só que com uma pegada andina nas melodias. Seleciono aqui três clássicas cumbias colombianas dos anos 60, sonoridade tida como supra-sumo pelos críticos especializados. Na sequência, destaco também duas chichas coletadas na obra prima “The roots of chicha: psychedelic cumbias from Peru”. Por conta dessa coletânea, vejam vocês, até mesmo os norte-americanos tem explorado a sua peculiar sonoridade. Entrem no myspace do Chicha Libre e confiram.

Armando Hernandez – La Zenaida

Luiz Pérez – La morena encarnacion

Alfredo Gutierrez – El diario de un borracho

Los Mirlos – El milagro verde

Los Mirlos – Sonido Amazonico

Até o século 20, a cumbia era conhecida como uma dança vulgar praticada pelas camadas economicamente mais baixas da sociedade. Isso permaneceu pelo menos até o meio do século passado, quando o termo “cumbia” passou a ser mais assossiado a música. Ainda assim, o preconceito aristocrata permanece até hoje, mesmo com a explosão popular que tomou conta do gênero na segunda fase do século 20. Durante muito tempo, seus temas não saiam muito de histórias de amor, romances impossíveis tipo novela mexicana, experiências do cotidiano, enfim, música pop. Eis que surge na Argentina uma nova sonoridade a partir dos anos 2000 através da cumbia villera, ou a cumbia das favelas. Cansados dos mesmos temas e sentindo falta de músicas que retratassem de fato a (dura) vida nos guetos, a cumbia villera surge, talvez incluenciada pela grave crise que assolou aquele país, e inaugura uma espécie de fase gangsta rap na cumbia. E tome música falando de armas, crime, tráfico e sexo.

Pablo Lescano, do Damas Gratis, é, talvez, o grande herói da cumbia villera, o cara que moldou esse tipo de som.

é um show de rock? de hardcore?? de speed-trash-metal??? não! é um show do damas gratis!!!

é um show de rock? de hardcore?? de speed-trash-metal??? não! é um show do damas gratis!!!

Damas Gratis – Re loco re mamado

Damas Gratis – Alza la manos

Quem duela pau a pau com o Damas Gratis em termos de popularidade na Argentina é o Pibes Chorros. Reparem como cai por completo o estereótipo que temos dos argentinos – Cadê as louras com carinha de européia? E os mullets??

Pibes Chorros – Que calor

Pibes Chorros – Pamela

Aqui um video com Pibes Chorros e Damas Gratis duelando num programa de auditório argentino!!

Pibes X Damas

E pra fechar, vamos mostrar duas das maiores paixões portenhas: cumbia e futebol num vídeo do Yerba Brava

sonidero nacional

Só que foi do México, mais precisamente de Monterrey, estado com uma cena fortíssima de artistas de cumbia, que surgiu o hit que levou a cumbia ao crossover internacional, muito por causa do filme Babel. Com produção de Toy Selectah, membro de um dos grupos mais famosos de hip-hop da história mexicana, o Control Machete, “Cumbia sobre el rio”, de Celso Piña, é uma bomba poderosa.

Celso Piña – Cumbia sobre el rio

Celso Piña – El tren (tanto na música acima quanto em “El Tren” os vocais estão a cargo do venezuelano Blanquito Man, da seminal banda King Changó)

tormenta tropical
Toy Selectah, também membro do Sonidero Nacional e hoje parte do cast da Mad Decent, do Diplo, tem presença ativa num dos discos mais sensacionais dos anos 2000 em todos os estilos, o “Mexican Sessions”, dos ingleses do Up Bustle & Out. Disco que dá um panorama muito bom da cena de Monterrey, recheada de flertes com o reggae, o hip-hop e o reggaeton.

Mundo Insolito – Toy Selectah/ Control Machete Remix

Up, Bustle & Out – Cumbion Mountain

zzk
É também da Argentina, através do coletivo Zizek, ou ZZK, que vem uma espécie de cumbia digital que não tem medo algum de absorver outros estilos, flertando com tudo quanto é guetto music, funk carioca inclusive. Festa, selo, e agência (os três beem hypados) com vários artistas portenhos liderados por Villa Diamante, o ZZK produz os sons mais interessantes da cumbia hoje em dia. Por conta do crossover colossal com outros estilos – os Zizeks também são muito bons nos mashups –, a cumbia está tomando conta dos Estados Unidos na forma do label Bersa Discos e da sua festa regular em São Francisco, a Tormenta Tropical. Mês que vem, o ZZK estará representando a cumbia no mais importante festival de música hoje, o americano Coachella. Se hoje já tem até holandês fazendo cumbia, o sensacional Sonido Del Principe, depois do Coachella el cielo es el límite.

Termino este breve panorama cumbiambero com 4 pepitas do Zizek crew, uma delas com uma certa cantora que vocês devem conhecer, e um petardo subsônico do Sonido Del Principe via Bersa Discos. Cuuuuuuuuumbia!!!

frikstailers

Frikstailers – Ta duro kuduro

El Trip Selector – Cumbia del piano triste

El Remolon feat. Marina – Vem que tem

Sonido del Principe – El principe

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