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Guerreiro Africano

17 May

Matéria que o Calbuque escreveu ontem no Globo

Biografia do músico e ativista nigeriano Fela Kuti ganha edição nacional

RIO — O nome de batismo era Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kuti. Mas para os amigos, as 27 mulheres e os muitos inimigos, ele era apenas Fela Kuti. Maior nome da música africana, criador do afrobeat, visionário e transgressor, amado e perseguido até a morte, por Aids, em 1997, aos 58 anos, ele viveu uma história de excessos, que se refletia não apenas em suas hipnóticas canções de mais de 20 minutos, mas também na relação com o público e as autoridades do seu país, a Nigéria.

Essa trajetória, que poderia render em Hollywood um épico sobre poder, racismo, sexo, violência e espiritualidade, gerou, em vez disso, uma fantástica biografia — “This bitch of life”, escrita pelo cientista político e escritor cubano Carlos Moore —, um musical de sucesso na Broadway — “Fela!”, produzido pelos astros Jay Z e Will Smith — , e um processo entre eles. Nessa ordem de entrada em cena.

— O que acontece é que fizeram o musical inspirado no meu livro e só quando ele ficou pronto é que vieram entrar em contato comigo, pedindo autorização — conta Moore, radicado há dez anos em Salvador, na Bahia, onde supervisiona a edição em português do livro, que chega às lojas em junho, com o título “Esta puta vida” (Editora Nandyala). — Acho que pensaram que eu estava morto ou esquecido em algum lugar. E, claro, não concordei com a forma como isso foi conduzido, nem aceitei o dinheiro que me ofereceram para um acordo forçado.

Com prefácio de Gilberto Gil, “Esta puta vida” narra a trajetória de Fela na primeira pessoa, pelas suas próprias palavras. Isso foi o resultado das mais de 15 horas de entrevistas e conversas entre o autor e o músico, tanto na República Kalakuta — a desafiadora co$alternativa criada por ele em Lagos, onde vivia com seus amigos, músicos e esposas — como em Paris, onde os dois se encontraram durante uma excursão de Fela, em 1981.

— Conheci Fela em 1974, quando fui convidado para organizar um festival de música, que teria Stevie Wonder como atração — lembra Moore. — Desde então, cobrava dele essa biografia, para que sua trajetória fosse conhecida. Mas ele sempre foi relutante. Dizia que só queria falar para o povo africano, que não tinha interesse no Ocidente. Ele acreditava que sua música falava por ele. Era muito oral, na tradição do continente, e prezava apenas a mensagem da boca para o ouvido. Nada mais.

Duelos constantes com as autoridades
No começo de 1981, porém, quando morava e lecionava em Paris, Moore foi surpreendido por telefonema de Fela, dizendo que estava, finalmente, pronto para falar.

— Ele me disse para pegar o próximo avião e encontrá-lo em Lagos. Foi o que fiz. Quando cheguei lá, encontrei Fela completamente deprimido com a morte da mãe, a ativista Funmilayo Ransome-Kuti, que tinha sido jogada da janela durante uma invasão da Kalakuta pela polícia, algum tempo antes. Ele achava, com razão, que os militares, que já o tinham aprisionado várias vezes, queriam matá-lo e estava se tornando obcecado com isso. Segundo ele, foi a própria Funmilayo quem apareceu em um sonho e disse para ele tornar pública a sua história.

Moore passou, então, semanas com Fela, que tinha se tornado ainda mais desafiador das autoridades, tendo reconstruído a comunidade, dessa vez em pleno gueto, além de ter tentado se candidatar à presidência do país. No local, teve contato direto com o mundo à parte em que o músico vivia.

— Diferente da primeira Kalakuta, que ficava numa área remota, a nova ficava no centro do gueto, como se fosse dentro de uma favela, de modo que se os militares $uma nova invasão, teriam que passar pelo meio do povo, que idolatrava Fela — explica Moore. — Ali, ele criou um país à parte, cujas leis eram feitas por ele. Fela era um idealista, mas era ingênuo também. Acreditava que os espíritos iam ajudar o povo africano a se levantar contra os governos corruptos. Só não conseguia dizer como isso ia acontecer de fato. No lugar, ele também guardava todo o seu dinheiro, já que não queria contribuir para um governo que considerava, com razão, corrupto e autoritário. Aliás, um dos motivos dos ataques a ele feitos pelos militares era roubá-lo

As mulheres de Fela — que renderam um capítulo à parte na biografia, intitulado “Minhas rainhas” — foram entrevistadas pelo autor na segunda bateria de entrevistas com o músico, feitas em Paris, alguns meses depois.

— Todas elas ganhavam um salário e trabalhavam dentro da comunidade. Quando havia uma briga entre suas mulheres, ele mesmo fazia um julgamento e decidia quem era a culpada. Mas naquela época, ele já estava totalmente paranoico e com mania de perseguição. Não queria comer, nem beber nada no hotel em Paris e dizia que estava ouvindo vozes. Eu falei para ele procurar ajuda, mas Fela não me deu atenção.

Como recorda Moore, Fela contraiu Aids em 1986, durante um dos seus períodos na prisão, ao receber uma visita “íntima”.

— Ele pegou Aids quando quase ninguém sabia o que era isso, principalmente na África. Como era forte, passou anos sem apresentar sintomas. Quando eles finalmente surgiram, em 1995, ele desprezou o atendimento médico, já que acreditava que os espíritos iam protegê-lo. Fela tinha convicção de que era imortal e ver como sua obra entrou para a História quase nos faz acreditar nisso — afirma o escritor. — Ironicamente, quem anunciou sua morte ao público foi o seu próprio irmão mais velho, Olikoye Ransome-Kuti, que havia se tornado um ativista contra a Aids na África.

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Owiny Sigoma Band

14 May

Owiny Sigoma Band são 4 músicos ingleses – guitarra, baixo, teclados e bateria – em conjunção com um grupo de músicos de Nairobri, capital do Quênia, especializados num tipo de som chamado luo. A experiência, que tinha tudo pra ser desastrosa, é simplesmente sensacional. Não importa o que eu ouvir até o final do ano, o recém lançado primeiro trabalho do grupo pela Brownswood, de Gilles Peterson, já está com o nome garantido entre os melhores de 2011.

Muito do sucesso dessa união está nas jam sessions entre os músicos promovidas em Nairobi. Aos poucos, o som dos ingleses foi se aperfeiçoando enquanto base ou esqueleto para que em seguida os africanos deitassem e rolassem por cima. Mas o grande charme do disco está de fato num instrumento de 8 cordas chamado nyatiti, brilhantemente tocado por Joseph Nyamungu.

Wires é o grande hit do disco, culpa do ritmo mais acelerado e dos vocais em inglês.

Minha preferida é Odera Lwar.

Afrobeat no go die

14 May

Que fase vive o afrobeat hoje em dia.
Gênero nigeriano que nada.
Agora tem afrobeat bom no mundo inteiro, que sorte a nossa.
Fela Kuti vive, lógico. E com centenas de milhares de filhos, uns ousando mais (Nomo, Chico Mann), outros respeitando a lenda.
Falando nos filhos mais famosos, Femi e Seun, o primeiro deles lançou (bom) disco ano passado.
Já o segundo, acaba de lançar um belissimo petardo, From Africa with fury: rise.
Minha preferida é essa aqui. Que musicão!


Falando em lendas, outra delas, das grandes, também lançou pepita nova recentemente. A diferença é que Cotonou Club é o primeiro disco em mais de 25 anos da Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou, do Benin. Na real, o som deles é mais abrangente que o afrobeat, pois incorpora diversas influências e pegadas. Mas não importa.

Do Cotonou Club, gostei enormemente dessa aqui. Por incrível que pareça, com participação de dois caras do Franz Ferdinand.

No Brasa, temos duas bandas que honram a tradição nigeriana. Uma de São Paulo, a Bixiga 70, outra do Rio, a Abayomi Afrobeat Orquestra (não consegui descobrir se temas originais fazem parte do repertório da banda).

Afrobeat no go die.

Chico Mann – Ilusión de Ti

23 Jun

Novo vídeo do artista do Chico Mann, artista do momento favorito da Cheetah!

Makula

13 Apr


A Makula é basicamente uma festa de afrobeat, gênero musical que assimila jazz, soulfunky e elementos propriamente africanos criado pelo nigeriano Fela Kuti. Mas também marcam presença nessa que é a prima africana da Cheetah, ritmos como highlife, juju, soukous, afrorock, voodoo Funk, räi, kuduro, etc.

Contando com os residentes Gustavo Benjão, Lucio Branco e Zé McGill, a Makula já recebeu em pouco mais de um ano de atividade os DJs Zebu, Stephane San Juan, Dany Roland, MAM, Lucio K e o referencial Mauricio Valladares. Além de shows do: Conjunto Musical do Amor, Abayomy Afrobeat Orquestra, Rubinho Jacobina & Força Bruta, e os caboverdianos Helio Ramalho e Fidjus.

A pedido da Cheetah, os DJs Zé MacGill e Lucio Branco fizeram uma seleta classe A com 10 registros essenciais para a festa, que nesta quinta, dia 15, recebe Sergio Zola, nascido em Angola, mas criado em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (ex-Zaire). Zola, entre outros, vai tocar estilos nativos como o ndombolo (soukous contemporâneo) e zouk!

Makula
5ª feira, 15 de abrilMofo Lapa (Av. Mem de Sá, 94 – Lapa)
Tel. 2221-9851
R$15,00 – R$12,00 (c/ filipeta ou mandando nome para a lista amiga: festamakula@gmail.com)
A partir das 22hs

1. Fela Kuti – “Don’t gag me”
Fela Kuti é o pai do afrobeat, gênero musical que assimila jazz, soulfunky e elementos propriamente africanos. Este vídeo é parte do documentário Ginger Baker in Africa, de 1971. Pra resumir, se não existisse Fela Kuti, não existiria a festa Makula.

2. Seun Kuti – “Many things”
Seun é o filho caçula do homem. Ele toca com a Egypt 80, que era a banda do pai nos anos 1980, e é quem melhor representa a música de Fela no mundo, tanto no som quanto no discurso. “Many Things” é a música mais pedida do programa Makula, na Rádio Gruta. Escute o programa aqui.

3. Franco & T.P. OK Jazz – “Bolingo ya moitie-moitie”
Franco é o rei do Soukous e da guitarrada do Congo (ex-Zaire) e chefão da orquestra T.P. OK Jazz. O cara manufaturou sua própria guitarra aos seis anos de idade. Precisa dizer mais? O Sergio Zola, angolano/congolês que fará show na próxima Makula (15/04), bebe desta fonte aí…

4. Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou – “Se Tche We Djo Mon”
Diretamente do Benin (“o Brasil que deu certo”), ei-los aí: os mestres supremos do Voodoo Funk! O grupo, que foi um dos expoentes do som africano nos anos 1960 e 1970, voltou em 2009 e está na estrada. Quem sabe um dia a gente traz eles pro Brasil e assim voltamos todos com os caras, invertendo a mão da diáspora? É jogo, hein?

5. Sagbohan Danialou – trecho do filme “L’homme orchestre”
Sagbohan Danialou é um músico popular no Benin (vide aí a reação da rapaziada ao mega hit Gbeto Vivi) que já gravou e se apresentou com a Orchestre Poly-Rythmo em algumas oportunidades. Inclusive, a gravação mais conhecida desta canção é com a banda oficial do país que é a pátria espiritual da MAKULA. Saquem a perícia de Mr. Danialou c/ as baquetas… O homem é multi-instrumentista…

6. Orchestra Baobab – “Colette”
Esta talvez seja uma das únicas músicas que rolaram em todas as edições da MAKULA até hoje. A Orchestra Baobab é de Dakar, Senegal, mas o som deles carrega várias influências, especialmente da música cubana. Não existia vídeo desta música no Youtube, por isso, a Makulinha Productions entrou em ação e criou o vídeo abaixo.

7. Mulatu Astatke – “Yegelle tezeta”
Alguém de muito bom gosto criou este vídeo, com a música do Mulatu e um vídeo do desenho do Mogli. Astatke é uma lenda do jazz da Etiópia. Ficou mais conhecido depois que o Jim Jarmusch incluiu músicas dele na trilha sonora do filme Flores partidas.

8. Os Bongos – “Lena
Mais um vídeo caseiro oferecido pela Makulinha Productions (rs) para mais um clássico da pista makulense! Os Bongos são de Angola e “Lena” faz parte de uma coletânea muito cascuda chamada Soul of Angola, uma antologia da música angolana de 1965 a 1975.

9. Konono nº 1 – Congotronics!
Aqui, um trecho do documentário Congotronics, imprescindível pra quem curte música africana. Konono nº 1 é um encontro de gerações de músicos do Congo que, munidos das suas kalimbas eletrificadas, sabem como ninguém unir ritmicamente o tradicional e o moderno!

10. Kokolo Afrobeat Orchestra – Live in Totnes!
Taí uma prova de que a música do Fela está devidamente espalhada pelo mundo. Kokolo é uma banda de Nova Iorque e este vídeo é de um show em Totnes, na Inglaterra. A gente gosta é quando a pista da MAKULA fica assim, que nem a pista do show do Kokolo!

Chico Mann e o afrobeat digital

11 Apr

O Bruno começa e a Cheetah termina.

“Até começar a ser chamado de coisas como “James Brown cubano do Casio” (pela turma da Turntable Lab) na época do lançamento de “Manifest Tone Vol. 1″, em 2007, o projeto paralelo do guitarrista do Antibalas Marcos Garcia era apenas uma brincadeira despretensiosa.

Não demorou muito para o afrobeat eletrônico com toques latinos do Chico Mann encontrar seu próprio público. Pouco mais de dois anos depois, já foram lançados quatro discos e dois EPs.

O quinto disco, “Trickster for Kids”, está a caminho. Marcos levantou os seis mil dólares necessários para produção direto com os fãs, através do saite Kick Starter. Agora é esperar.”

Analog Drift (Muy Esniqui), quarto disco do Chico Mann é a coisa mais espetacular que a Cheetah ouviu em 2010 até então. Do ano passado, na verdade, Analog é sensacional, sublime, épico, antológico. Uma coleção de 12 pérolas que redesenham o afrobeat ao incorporar vocais em espanhol, linhas de baixo sintetizadas, programação eletrônica low-fi com toques de old school electro, hip-hop e breaks em geral. Prova de que dá, sim, pra fazer afrobeat no seu quarto. Ainda que para isso você precise tocar a rodo!

Alto astral ao extremo, ouvir Chico Mann vai te salvar de qualquer deprê. Deep.

Chico Mann – Anima

Chico Mann – Go to that place

7 X África

23 Mar

Hibernando, sim. Dormindo, jamais! A Cheetah está de volta; stay tuned.

Pra marcar nossa volta, 7 clipes que mostram os novos sons da África mas que não necessariamente vêm do continente – afinal vivemos no mundo do global guettotech.

JR. featuring HHP – Show dem (Make the circle bigger)

Chico Mann – Ya Yo Se

Baloji feat. Konono Nº 1 – Karibou Ya Bintou

Old Money – Mamaseh

Schlachthofbronx feat. Spoek Mathambo + Gnucci Banana – Ayoba

DJ Mujava – Mugwanti-Sgwe

Makongo – Angolan kung-fu

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