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Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz_Perc Pan 2010

17 Sep

O trabalho do maestro Letieres Leite e de sua Orkestra Rumpilezz é a mais perfeita tradução do espírito do candomblé, da percussão baiana e dos ritmos ancestrais africanos. É uma agremiação gigantesca, formada por nada mais nada menos que 19 músicos. Bom, nada melhor que o próprio Letieres Leite para explicar o som da sua Orkestra Rumpilezz (big band perde).

“A orquestra é formada por 5 músicos de percussão (atabaques, surdos, timbaus, caixa, agogô, pandeiro, caxixi) e 14 músicos de sopro (4 trompetes, 4 trombones, 2 saxes alto, 2 saxes tenor, 1 sax barítono e 1 tuba). As composições são inspiradas desde os toques dos Orixás do culto do Candomblé, como tambem de grandes agremiações percussivas como: Ilê Aiyê, Olodum, Sambas do Recôncavo, dentre outras referências rítmicas”.

Letieres Leite é maestro da Ivete Sangalo, talvez por isso seu (incrível) trabalho pessoal deve ter demorado tanto pra sair.

Baixe o primeiro disco do LL&OR e depois leia os comentários do maestro a respeito de cada uma das faixas:

1- A grande mãe
Esta é a musica de abertura e encerramento dos nossos concertos, executados a partir do toque vassi.
2- Anunciação

Dedicada ao grande mestre da bateria e percussão Antonio Ferreira da Anunciação, um dos pioneiros no encontro da musica da Bahia com o Jazz.
3- Aláfia

Música que celebra a paz, a positividade, os caminhos abertos; principais significados da palavra Aláfia (yorubá), quando num resultado do jogo de búzios (ifá).
4-Floresta Azul

Tema inspirado numa cantiga a Odé (tradição afro-brasileira) em Aguerê, ritmo cadenciado para Oxossi. Na composição as variações de rum deram a rítmica para a maioria das melodias.
5- Taboão

Samba-reggae em homenagem ao grupo Olodum, que o divulgou para todo o mundo.
6-Balendoah

Com adaptação e arranjo de Letieres Leite, a música de Ed Motta, foi traduzida para o “Estilo Rumpilezz”,
7 – Adupé Fáfa
Composta em homenagem ao nosso saudoso músico da Orkestra, Fabrício Scaldaferri.
8- O Samba Nasceu na Bahia
A composição reúne as diversas formas de samba tocados na Bahia: O samba afro (Ilê Ayê), samba duro, kabila (angola), e chula (recôncavo baiano).
9- Temporal
Primeira composição feita para a Orkestra. Baseado no ritmo ilú (toque para Iansã nas cerimônias da nação Keto). A música tem ainda, em uma de suas partes o ritmo Ijexá.


Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz tocam no Perc Pan 2010 no seguinte dia:

05/10/2010, Oi Casa Grande (Rio)

Ramiro Musotto R.I.P.

20 Sep

ramiro

Faleceu na sexta feira, dia 11, o grande músico Ramiro Musotto. Reproduzimos abaixo o belo texto que seu amigo e parceiro Lucas Santtana escreveu no Diginóis. Descanse em paz, Ramiro.

“Faleceu hoje ainda muito jovem e para surpresa de muitos, um dos grandes músicos que conheci na minha vida.

Ramiro Musotto nascido em Bahia Blanca – Argentina, se apaixonou pela música Brasileira e por causa dela veio morar no Brasil em 1982, para estudar percussão brasileira com o professor Zé Eduardo Nazário em São Paulo.

Logo em seguida se mudou para Salvador, encantado com a riqueza rítmica do Candomblé e da percussão de rua.

Ramiro era um músico completo, conhecia profundamente toda a liturgia ritimica do candomblé, a ponto de escrevê-la em partitura. Não só do candomblé baiano, quem o conheceu sabe da sua personalidade intensa, tudo que o interessava virava alvo de muito estudo e dedicação até esmirilhar tal informação. Era um professor nato.

Nos anos que se seguiram na Bahia Ramiro tocou e gravou com praticamente todo mundo em Salvador. Produziu um dos maiores discos já produidos lá até hoje, chamado “Um Canto para subir”, de Margareth Menezes”. Esse disco encheu os ouvidos de David Byrne e catapultou a carreira de Margareth no exterior, apadrinhada por Byrne.

É de Ramiro também a produção da faixa “Eu sou Negão” de Gerônimo. Foi a primeira vez que a percussão de um bloco foi programada numa bateria eletrônica e essa música foi um marco divisório no carnaval da Bahia. Foi por causa dela que os trios elétricos adotaram o samba -reggae no seu set.

Além de grande percussionista, Ramiro também era entusiasta tecnológico, ele e Liminha foram as 2 primeiras pessoas no Brasil a ter e pilotar uma mpc, instrumento adotado por diversos músicos nos dias de hoje.

Ele foi um pioneiro do sampler no Brasil e usou e abusou dele em discos do Skank, Caetano Veloso e Gilberto Gil, Marisa Monte, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Fernanda Abreu, Titãs, Sergio Mendes, Gal Costa, Adriana Calcanhoto, Zeca Baleiro dentre outros, com os quais tocou,  gravou e produziu ao longo desses anos.

Em 2001 Ramiro comeceu seu trabalho solo lançando o disco Sudaka. 

Em 2004 Ramiro empresta todo seu talento na gravação do disco Lenine in Cité, gravado ao vivo em Paris.  E em 2007 lança seu segundo disco: Civilização e Barbárie.

Além desses dois discos Ramiro lançou também o DVD Sudaka ao vivo com a participação de Sacha Ambeck, Leo Leobons, Kabo Duca e Felipe Continentino.

Muitos não sabem, mas Ramiro Musotto re-inventou o berimbau, depois de Nana Vasconcelos foi quem deu o grande passo a frente na modernização do instrumento, transformando-o harmônicamente e em termos de sonoridade, ao utilizar diversos tamanhos e afinações diferentes, além de cabaças de metal.

Adeus meu amigo, parabéns pelo seu rico legado deixado para nós, a música agradece a sua existência.

Que Oxalá estenda um grande pano branco na sua chegada………”

João Brasil em versão axé-tech

15 Jun

Mais uma do símio mais irreverente que habita o cone sul. Dessa vez um axé-tech. Punk.

Lista de samples:

Fazer o quê? – Calypso
Sleepyhead – Passion Pit
Blitzkreig Bop – Ramones
Bahia thin scream – João Brasil
Womanizer – Britney Spears

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