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Sahara Elektrik

5 Nov

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O grupo de rock alemão Dissidenten é um dos precursores da mistura de sonoridades ocidentais com as indianas e árabes. A Cheetah não achou a citação, mas falam por aí que a Rolling Stones os batizou de “Godfathers of World Beat”. Verdade ou não, o fato é que Sahara Elektrik, disco de 84 gravado no Tangier, Marrocos, com o apoio da banda local Lem Chaheb, é fundamental na audioteca do global guettotecher.

Fata Morgana era hino nos clubes da Itália, Espanha e Canadá. E, certamente, influenciou muitos artistas arabescos que vieram depois, como Transglobal Underground e Renegade Soundwave. John Peel tocou tanto essa música no seu programa da BBC que um ano depois de lançado, Sahara Elektrik ganhou edição inglesa. Já nos EUA, Brian Eno, David Byrne e Paul Simon eram todos fãs.

Dissidenten & Lem Chaheb – Sahara Elektrik

01. Inshallah
02. Fata Morgana
03. El Mounadi – The Desert Life
04. Sahara Elektrik
05. Casablanca – Wacha Wacha
06. Hidden Track
07. Shadows Go Arab

Bônus

Esse vídeo gravado ao vivo recentemente mostra que os caras ainda estão em forma!

My life in the bush of ghosts

1 Nov

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1979-Talking Heads had just completed what for us was a long world wide tour after our Fear Of Music record came out. I then took some time to collapse and recuperate in NY. During this time Brian and Jon Hassel and I began to spend some time together enthusiastically exchanging cassettes and vinyl that we had each found. I seem to remember Jon playing some Milton Nasciamento, which I didn’t get at the time. I myself had a new fascination with African pop music, although aside from Fela there was little information available about any of the artists. There was no World Music guides at this point and no internet.

Maybe inspired by these records Brain, Jon and I fantasized about making a series of recordings based on an imaginary culture. We’d make the record and try to pass it off anonymously as the genuine article. This appealed for a number of reasons- it had a lovely Borges like quality, like one of his stories in which an encyclopedia is discovered that describes a hitherto unknown land. It also appealed, I suspect, partly because it would make us as “authors” more or less invisible. In our imaginings we’d release a record with detailed liner notes explaining the way music functioned in that culture and how it was produced- the kind of extensive notes common on those kinds of records. David Byrne

Produzido por Brian Eno e David Byrne, My life in the bush of ghosts é aquele tipo de disco em que muito se ouve falar mas que na prática pouco se escuta.

28 anos depois de lançado, Bush of ghosts continua soando atual, principalmente para nós guettotechers. Rock, funk, eletrônica, ambient, camadas de percussão, cânticos muçulmanos, samples de rádio fm, e até mesmo uma cerômina de exorcismo, são algumas das características desse disco obrigatório (avant-funk disseram alguns, etno-abstracionista, disseram outros).

Em 2006, Eno e Byrne relançaram Bush of Ghosts com mais uma penca de músicas extra além de terem colocado no ar um site muito bacana, repleto de citações, ensaios, críticas de jornais e periódicos. E mais: sob licença Creative Commons, foram liberadas as multitracks de duas faixas para remixes.

Bush of Ghosts precisa ser ouvido sozinho, com um bom headphone, under the influence. Ele é difícil, tenso, atmosférico, às vezes sinistro.

Brian Eno e David Byrne – My life in the bush of ghosts

1. America Is Waiting
2. Mea Culpa
3. Regiment
4. Help Me Somebody
5. The Jezebel Spirit
6. Very, Very Hungry
7. Moonlight in Glory
8. The Carrier
9. A Secret Life
10. Come with Us
11. Mountain of Needles

BLK JKS

21 Oct

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O BLK JKS (Black Jacks) é de Joanesburgo, África do Sul. Mas bem que poderia ser do Brooklyn, EUA. Exemplo primoroso da misturada geral que tá rolando entre tudo e entre todos, o BLK JKS é rock, post-rock, afro beat, dub, prog, ambient, jazz. Muitos devem dizer: nem parece africano. Mas ora bolas. Porque o BLK JKS precisa soar, sei lá, como Fela Kuti? Porque o BLK JKS não pode parecer com o TV on the Radio? E porque o Fool’s Gold, americano, não pode ter aquela guitarrinha congolesa?

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O lance é o seguinte. After Robots, primeiro disco cheio do BLK JKS, banda formada em 2000, é uma das melhores coisas lançadas esse ano. Denso, pesado, viajante, climático, épico e mais um montão de adjetivos.

BLK JKS – Summertime (essa é do EP Mysteries)

BLK JKS – Molalatladi (bitrate vagaba)

BLK JKS – Banna Ba Modimo (bitrate vagaba)

Vampire Weekend – Horchata

8 Oct

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Falando em Vampire Weekend, confira Horchata (nome de uma bebida típica da América Latina), primeiro single da banda nova-iorquina

Vampire Weekend – Horchata

Receita de Horchata:

medio kilo de arroz
canela molida
vainilla unas gotas
l lata de leche clavel (carnation)
azucar al gusto
y mucho hielo

Preparação:
Se pone el arroz en un recipiente hondo y se le agrega agua hasta que se cubra totalmente y se deja remojar toda la noche, cuando esta bien remojado se muele en la licua con agua suficiente se le agrega la leche el azúcar las gotitas de vainilla y al final la canela se sirve bien frío.

Sunday Trax #1

4 Oct

Fool’s Gold* – Surprise Hotel

* mais sobre esses caras muito em breve.

Jonathan Richman & Modern Lovers – Egyptian Reggae

CHAMPETA

8 Aug

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Tanto a cumbia quanto o vallenato colombiasnos são gêneros aonde a presença africana, européia e indígena é igualmente importante. Mas a champeta, ritmo que nasceu nos anos 90 e que hoje é febre entre as camadas mais populares da Colômbia, é basicamente negra. Desenvolvido nas periferias de Cartagena durante os picós (de pick ups, festas promovidas ao ar livre), a champeta, apresenta influências dos rituais religiosos caribenhos, ragga jamaicano, o compas do Haiti, reggaeton portoriquenho e a música africana.

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Nos picós, boa parte das músicas tocadas antes da criação da champeta tinham origem africana. Essas músicas faziam tanto sucesso que os empresários dos picós passaram a contratar músicos colombianos para adaptar as músicas para o espanhol e assim vencer a concorrência. Tocando a sua maneira soukous (Congo), highlife (Gana, Nigéria), juju (Nigéria) e mbquanga (África do Sul), os colombianos desenvolveram a pegada afro necessária para depois misturar com todo o resto e desenvolver a champeta.

El Sayayin – La Voladora

Mr. Black –  Los trapitos a el agua

Elio Boom – Las Turbinas


Perreo Zuliney – La rajita

Papoman – El vacile

Global Guettotech #1 – Maga Bo

3 Aug

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O norte-americano Maga Bo, radicado no Rio de Janeiro há 10 anos, é considerado um dos principais figuras do movimento global ghettotech. No contexto das contorções digitais de hip hop e dub, Bo amassa batucada, rai, capoeira, bhangra, cumbia e batidas eletrônicas num quebra-cabeça sem fronteiras.

Sempre na estrada, Maga Bo passa semanas conhecendo e colaborando com músicos e vocalistas locais. Os metodos são simples e eficazes: armado com um laptop e um microfone, qualquer quarto de hotel em qualquer lugar do mundo se transforma num estudio de gravação. Nessas condições, Maga Bo já gravou com: Xuman, do grupo de hip-hop Pee Froiss, de Dakar, Senegal; Teba e Max Normal, da Cidade do Cabo; Mr. Catra, BNegão e Marcelo Yuka, do Rio; Kalaf, do Buraka Som Sistema, de Lisboa; os marroquinos Bigg e K-Libre; Filastine, de Barcelona.

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Suas apresentações ao vivo se dão tanto em gigs de guerilla (complexos industriais em São Paulo, barcos no Mar Báltico ou em sistemas de som improvisados em pleno carnaval do Rio), quanto nos importantes Club Transmediale em Berlin, The Sydney Festival, na Australia, Fabric, em Londres, Turntables on the Hudson, em Nova Iorque, The Chicago World Music Festival, Pop Montreal, no Canadá e o Clandestino Festival, na Suécia.

Maga Bo feat. Mohammed Issa Matona – Longa Nahawand

Colombia especial!

21 Jul

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E a Cheetah promove uma visita à Colombia contemporânea através do trabalho de cinco importantes artistas deste país. Cada um a sua maneira (uns mais, outros menos) funde ritmos tradicionais colombianos e tropicais com o pop global e a música eletrônica. São nomes quentes, pra ficar de butuca ligada, que certamente ainda vão passar muito por aqui e por nossas festas!

Bomba Stereo

O Bomba Stereo tá… bombando! Olha o que eles acabaram de fazer no Central Park!

Systema Solar

Pernett & The Caribbean Ravers

OBS: tb vale conhecer o Pernett sem os Caribbean Ravers (aliás, que nome genial!)

Monareta

O Monareta é o mais experimental de todos. Moram nos EUA atualmente.

Chocquibtown

Talvez o mais popular de todos por conta do apelo hip-hop de boa parte das faixas. Assim como o Bomba Stereo, já tiveram no Brasil, em São Paulo.

Bônus:

Systema Solar – Ya verás

Monareta – Esmeraldeña

Nova Lima

7 Jul

Não se assuste com o rótulo de “Gotan Project peruano”, algo que certamente você, leitor, irá se deparar algum dia (o Nova Lima está todo bookado na Europa e Estados Unidos e deve gerar boas críticas por lá).

E ok… É verdade que a banda (afiadíssima) também adapta ritmos folclóricos do seu país, no caso o Peru, à eletrônica de baixos teores. Mas a Cheetah considera reducionismo fazer comparações desse tipo. Portanto, ouça o Nova Lima e tire suas próprias conclusões!

Aqui está um set com cerca de 30 minutos que mostra muito bem a pegada da banda. O set list e os comentários abaixo são dos próprios membros (via La Congona).

1.- “La danza de los Mirlos (novalima remix)” *unreleased. Los Mirlos traditional 70’s cumbia reversion by Bareto, cumbia revival band from lima, remixed by novalima)
2.- “Macaco (novalima remix)” *unreleased – Batata y su Son Palenquero , one of the greatest afro colombian artists, our friend Lucas Silva “Champeta Man” gave us the tracks of this great trad song to remix)
3.- “El abuelo (novalima remix) – Bareto” *unreleased. Made popular by Juaneco y su Combo in the 70’s, another cumbia reversion by Bareto remixed by novalima
4.- “Tumbala” (da lata remix) this is a great afrobeat-brazilian remix by chris frank whom we’ve known since the “afro” sessions in london back in 2004, with additional vocals by da lata’s nina miranda. This track digs out cotito’s “lost verse” from tumbala which somehow didnt make it into the original version in the album
5.- “el niche” sabor y control. Our favorite peruvian salsa dura band, led by bruno majer (who sings mujer ajena in coba coba) and constantino, novalima’s timbales player
6.- “bandolero (kv5 remix)” great remix in a jamaican stylee by marc lee from london based kv5. Previously unreleased
7.- bomba (coba soundsystem) this track was the last track we finished before releasing coba coba, coba soundsystem is a.k.a. novalima dj’s rpp,rm,gs. Bomba plena an electro latin dancefloor groove
8.- “tumbala (oreja remix)” seiji’s house rework for tumbala

Coba Coba, disco mais recente do Nova Lima, ganhou uma versão remixada. Muitas escorregam pro perigoso terreno da músiquinha-eletrôniquinha-gostosinha-housesinha, se é que você entende. Ouça/ baixe o disco inteiro aqui.

Global Guettotech #0

23 Jun

E a Cheetah inaugura mais uma sessão aqui no blog, dessa vez sobre global guettotech. A cada semana, terça-feira para ser mais exato, um nome chave desse tão polêmico gênero musical estará sendo dissecado pela macaca. Mas pra começar, vamos voltar ao tempo e postar como introdução uma matéria escrita pelo Camilo Rocha para a Folha de São Paulo em janeiro do ano passado, talvez o primeiro texto sério sobre o assunto no Brasil. Para ilustrar, a Cheetah toma a liberdade e incorpora alguns vídeos no post.

“Globalistas” buscam sons periféricos

DJs como Diplo, Manga Bo e Dolores misturam ritmos que vão do hip hop norte-americano ao dancehall jamaicano.

Inspirados nos sons mais urbanos das periferias, artistas negam que trabalhos tenham como fonte inicial a “world music”.

CAMILO ROCHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
(15.01.08
)

A maioria dos DJs costuma direcionar seus ouvidos para algumas poucas mecas musicais do Primeiro Mundo, como Nova York, Londres, Berlim e Paris. Nesta década, porém, emergiu uma nova categoria, a dos DJs “globalistas”, que viajam muito mais longe em suas garimpagens musicais.

Nomes como Diplo, DJ Dolores, Maga Bo, DJ/rupture, Ghislain Poirier e Wayne&Wax constroem sets incrivelmente variados, que podem ter hip hop americano, tecno alemão ou electro francês, mas também soca de Trinidad, rap marroquino, funk carioca, kuduro de Angola, dancehall jamaicano, o grime das Cohabs londrinas ou a cumbia colombiana.

A exposição desses ritmos “periféricos” já influencia artistas em diferentes esferas como a banda Bloc Party e os DJs/ produtores Simian Mobile Disco e Samim (que teve um dos hits do ano com “Heater”, no qual juntou cumbia com tecno). Depois tem o fenômeno da anglo-cingalesa MIA, a primeira popstar a sair dessa tendência e que lançou neste ano o elogiado álbum “Kala”.

Seria tudo isso uma nova roupagem para o desgastado termo “world music”? Ao conversar com a Folha por telefone, o DJ e produtor canadense Ghislain Poirier, que acaba de lançar o álbum “No Ground Under” pelo selo Ninja Tune (da dupla inglesa Coldcut), nega: “World music é mais exótico, os sons que tocamos são mais urbanos. Eles vêm de um cenário comum: pessoas sem muito dinheiro, fazendo música em estúdios caseiros ou num laptop. É algo mais urgente”.

Graças a um maior acesso à internet e à tecnologia, em todo o mundo há uma proliferação sem precedentes dos sons das periferias dos países, boa parte deles com fortes bases eletrônicas e criados em laptops ou PCs surrados, muitas vezes com softwares piratas, e divulgados via blogs, sites e sets dos DJs “globalistas”.

O DJ e MC americano Wayne&Wax, que também é etnomusicólogo, batizou o movimento de “global ghettotech”. “Inventei essa frase para descrever uma estética emergente entre certos DJs e blogueiros, onde se mistura gêneros “globais” como hip hop, tecno e reggae, entre outros, com estilos “locais'”, explicou Wayne à Folha. “Mas sou contra a abordagem superficial e modista. Gosto de conhecer os contextos sociais e culturais que moldaram esse sons”, esclarece.

Pioneiros

Um dos “globalistas” pioneiros é o DJ/rupture, de Boston, EUA, que primeiro chamou a atenção com uma mixtape (set mixado) chamada “Gold Teeth Thief”. O set deu tanto o que falar que figurou entre os dez melhores lançamentos de 2002 da prestigiosa revista musical inglesa “The Wire”.

Por meio de seu blog e programa de rádio “Mudd Up!”, Rupture transmite uma mescla insana de ritmos de várias partes. Um de seus interesses especiais é a música maghrebi, do norte da África. “Estou descobrindo [também] o mundo da cumbia – existem muitas cenas fascinantes, do passado e do presente”, conta o DJ.

O selo de Rupture, Soot, deve lançar em alguns meses o álbum de estréia de outro nome importante da cena “globalista”: Maga Bo, um americano de Seattle que mora no Rio desde 1999. Maga Bo já trabalhou com brasileiros como BNegão, MC Catra, Marcelo Yuka, Marcelinho da Lua e Digitaldubs.

No ano que vem, ele deve começar a dar aulas sobre produção digital na sede do AfroReggae, em Parada de Lucas, no Rio. No momento, está em Addis Ababa, capital da Etiópia, gravando com músicos locais e pesquisando música etíope.

“Batidas eletrônicas são o campo onde todo mundo pode se entender. O computador, que já foi chamado do primeiro “instrumento folk universal”, está cada vez mais acessível. O volume de música que pode ser encaixada nesse “global ghettotech” está aumentando no mundo. A morte das gravadoras tradicionais e o crescimento da distribuição de música na internet estão ajudando essa popularização”, conta Maga Bo.

Já o DJ Dolores, representante brasileiro mais conhecido dessa tendência, diz que “os computadores são os tambores de hoje, um instrumento primal que cada um pode usar do seu jeito”. Em 2004, Dolores ganhou o prêmio de melhor DJ na categoria “Club Global” da Radio One, da BBC inglesa. Dolores acaba de chegar de vários shows pelos EUA e México e no ano que vem deve lançar o álbum “Um Real”.

Diplo é o nome mais conhecido dessa safra de DJs/produtores. Esse americano de 29 anos foi um dos principais divulgadores do funk carioca no exterior. Ex-namorado de MIA (cujo primeiro álbum ele co-produziu), Diplo tocou recentemente no Tim Festival.

Ele acredita que é importante retribuir as culturas locais. Através do projeto Heaps Decent, ele vem fazendo música com jovens aborígenes de um centro de detenção de menores da Austrália. Faixas devem sair em breve, em parceria com o selo australiano Modular.

“Já que essas subculturas, de certa forma, me ajudam a ganhar a vida, fiz algo para ajudar seu desenvolvimento”, explica. “Nos próximos meses, espero fazer o mesmo na favela do Cantagalo, no Rio, com a ajuda do AfroReggae e do [antropólogo] Hermano Vianna.”

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