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Dancing Cheetah de verão – 19/01

19 Jan

Amanhã, 19 de janeiro, rola a segunda edição da Dancing Cheetah de verão. Aonde? Na boa e velha Casa da Matriz, é claro. Além dos residentes Pedro Seiler e Chico Dub, e do grande mestre DJ Dolores, um dos precursores dessa onda de misturar influências de todos os cantos do planeta em seus sets, a Cheetah ainda conta com El Rocker (patrão do Confronto Sound System, de Brasília) e o amigo da macaca, Lucas Santtana.

El Rocker e Lucas são amigos de longa data e por isso fizemos a proposta dessas entrevistas. Com direito a vídeos!

Não perca a próxima Cheetah. Mais uma vez, um mini-festival de global guettotech por 15 reais com nome na lista amiga. Deep.

El Rocker entrevista Lucas Santtana

1) Se a gente pudesse ponderar sobre isso, o quanto da sua criação como músico/compositor interfere no que você toca como dj?

Por incrível que pareça eu sempre achei que eram coisas bem separadas, mas outro dia o Emilio Domingos me fez ver que todos os meus discos, fora o último, tiveram inspiração em festas que eu frequentava na época. E mesmo o Sem Nostalgia tem as faixas que são mashup e “I can’t live far from my music”, que é um dance hall meio cabeçudo.

2) Você acha que a satisfação de tocar pra uma pista, que está lá por conta do que você tá tocando, pode se aproximar da sensação de subir no palco e fazer um show?

Para mim é bem diferente porque tocar com uma banda é muito orgânico, é como jogar bola com amigos, discotecar é como jogar futebol no videogame, é também emocionante, mas diferente. E as pessoas que vão no meu show, querem ouvir as minhas músicas, na pista muitas vezes as pessoas nem sabem quem está discotecando, querem mesmo é dançar e azarar. Quando a pista está lá por indentificação com o som é muito foda. Tipo religião.

3) Qual seria a sua reação se o seu filho chegasse pra você e dissesse que quer ser dj…você expulsaria ele de casa?

hahahaha, porra, eu iria adorar! O bom de ser dj é que você sempre quer tocar uma música nova, e isso faz você garimpar sempre.

4) Ouvi dizer que existe um movimento forte pela volta do corte de cabelo original do David Cole…procede?

HAUSHAUSHAUSHAUSHAUS! Ele vai ler isso heim! David, gostamos da sua careca! hahahahaha

5) Você já pensou em fazer um disco remix do “Sem Nostalgia” com o Memê?

Não, pensei em fazer com o Confronto, vai encarar?

6) O que você tem ouvido na linha Cheetah?

113 & Magic System – Un gaou oran

Mc Roger – Dançamos Assim

Carmensita (Toy Selectah Raverton Refix) – Devendra Banhart

Poirier with Face-T at Cervantino (Live Festival Mexico)

The Anthem Remix (Defense) – Machel, Pitbull, Lil Jon

Lucas Santtana entrevista El Rocker

1) Porque a alcunha de El Rocker e como ela surgiu?

el roquer? O nome, obviamente, é uma referência ao Agustus Pablo, mas também uma brincadeira com o estereótipo que as pessoas criam quando você fala que gosta de reggae. A coisa mais comum é me perguntarem se eu toco rock. E a reposta é sempre a mesma…rock não, Death Metal!

2) Conta, para quem ainda não sabe, um pouco da história do Confronto Sound System

O Confronto surgiu com dois objetivos bem definidos: diversão e arrumar uma maneira de viabilizar os sounds na rua. Eu me mudei para Brasília querendo tocar o que eu estava ouvindo naquele momento e por uma feliz coincidência tinha muita gente aqui se interessando pelas mesmas coisas. Na verdade, a duração do confronto como projeto pessoal foi somente uma festa, na seguinte já tinhamos 11 pessoas que de uma maneira ou de outra faziam parte do grupo! O tempo passou, muita coisa mudou, mas eu continuo tendo o prazer e o orgulho de tocar com o Ogro e com o Zula…Além, de agradecer todos os dias pelo Fisch xaropar bem menos hoje!

3) Nas minhas discotecagens pelo Brasil afora sempre fiquei impresionado com as festas em Brasilia. Não só pela animação da galera mas também pela indentificação com o som, muitas vezes coisas novas ou desconhecidas, porque você acha que isso rola? Ou é viagem minha? hahahahaha

Tanta gente que toca em Brasília tem essa impressão, que eu começo a acreditar que isso realmente é verdade! Talvez seja o resultado da ausência de uma praia!

4) O que você tem baixado e ouvido?

Estava pensando sobre isso outro dia…se existe muita diferença nas coisas que eu escuto/toco agora, para as coisas do começo do Confronto. A conclusão que que eu cheguei, foi que não. O que sempre me interessou foram as misturas e isso continua sendo o grande referêncial. Eu tenho uma total reverência pelo Reggae/Dub, posso dizer que esse é o meu ponto de partida, mas o caminho passa pelo kuduro, soca, dancehall, afro-beat, funk carioca ou qualquer outro tipo de música que possa se relacionar com essa origem.

5) Você não acha que, de uma maneira geral, as músicas avulsas baixadas em blogs hoje em dia são superiores as encontradas nos discos? Caso sua resposta seja sim, porque você acha que isso rola?

Não acho que isso seja uma característica específica da música, acho que tem a ver com a informação em geral. Cada vez mais é complicado para os meios tradicionais, engessados por toda a estrutura armada durante anos, conseguirem dar conta da velocidade e da diversidade do que está sendo criado. No que diz respeito a produção musical, existem blogs que tem o poder de realmente fazer com que determinados artistas ganhem projeção pelo simples aval creditado a sua música.

6) Mostra uns vídeos ae!

Malewa – The African Skank

Toddla T – Shake it

Afrikan Boy – One Day I went toLidl

Doctor – UK Funky Dancehall

Sergent Garcia – Acabar Mal


Global Guettotech #0

23 Jun

E a Cheetah inaugura mais uma sessão aqui no blog, dessa vez sobre global guettotech. A cada semana, terça-feira para ser mais exato, um nome chave desse tão polêmico gênero musical estará sendo dissecado pela macaca. Mas pra começar, vamos voltar ao tempo e postar como introdução uma matéria escrita pelo Camilo Rocha para a Folha de São Paulo em janeiro do ano passado, talvez o primeiro texto sério sobre o assunto no Brasil. Para ilustrar, a Cheetah toma a liberdade e incorpora alguns vídeos no post.

“Globalistas” buscam sons periféricos

DJs como Diplo, Manga Bo e Dolores misturam ritmos que vão do hip hop norte-americano ao dancehall jamaicano.

Inspirados nos sons mais urbanos das periferias, artistas negam que trabalhos tenham como fonte inicial a “world music”.

CAMILO ROCHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
(15.01.08
)

A maioria dos DJs costuma direcionar seus ouvidos para algumas poucas mecas musicais do Primeiro Mundo, como Nova York, Londres, Berlim e Paris. Nesta década, porém, emergiu uma nova categoria, a dos DJs “globalistas”, que viajam muito mais longe em suas garimpagens musicais.

Nomes como Diplo, DJ Dolores, Maga Bo, DJ/rupture, Ghislain Poirier e Wayne&Wax constroem sets incrivelmente variados, que podem ter hip hop americano, tecno alemão ou electro francês, mas também soca de Trinidad, rap marroquino, funk carioca, kuduro de Angola, dancehall jamaicano, o grime das Cohabs londrinas ou a cumbia colombiana.

A exposição desses ritmos “periféricos” já influencia artistas em diferentes esferas como a banda Bloc Party e os DJs/ produtores Simian Mobile Disco e Samim (que teve um dos hits do ano com “Heater”, no qual juntou cumbia com tecno). Depois tem o fenômeno da anglo-cingalesa MIA, a primeira popstar a sair dessa tendência e que lançou neste ano o elogiado álbum “Kala”.

Seria tudo isso uma nova roupagem para o desgastado termo “world music”? Ao conversar com a Folha por telefone, o DJ e produtor canadense Ghislain Poirier, que acaba de lançar o álbum “No Ground Under” pelo selo Ninja Tune (da dupla inglesa Coldcut), nega: “World music é mais exótico, os sons que tocamos são mais urbanos. Eles vêm de um cenário comum: pessoas sem muito dinheiro, fazendo música em estúdios caseiros ou num laptop. É algo mais urgente”.

Graças a um maior acesso à internet e à tecnologia, em todo o mundo há uma proliferação sem precedentes dos sons das periferias dos países, boa parte deles com fortes bases eletrônicas e criados em laptops ou PCs surrados, muitas vezes com softwares piratas, e divulgados via blogs, sites e sets dos DJs “globalistas”.

O DJ e MC americano Wayne&Wax, que também é etnomusicólogo, batizou o movimento de “global ghettotech”. “Inventei essa frase para descrever uma estética emergente entre certos DJs e blogueiros, onde se mistura gêneros “globais” como hip hop, tecno e reggae, entre outros, com estilos “locais'”, explicou Wayne à Folha. “Mas sou contra a abordagem superficial e modista. Gosto de conhecer os contextos sociais e culturais que moldaram esse sons”, esclarece.

Pioneiros

Um dos “globalistas” pioneiros é o DJ/rupture, de Boston, EUA, que primeiro chamou a atenção com uma mixtape (set mixado) chamada “Gold Teeth Thief”. O set deu tanto o que falar que figurou entre os dez melhores lançamentos de 2002 da prestigiosa revista musical inglesa “The Wire”.

Por meio de seu blog e programa de rádio “Mudd Up!”, Rupture transmite uma mescla insana de ritmos de várias partes. Um de seus interesses especiais é a música maghrebi, do norte da África. “Estou descobrindo [também] o mundo da cumbia – existem muitas cenas fascinantes, do passado e do presente”, conta o DJ.

O selo de Rupture, Soot, deve lançar em alguns meses o álbum de estréia de outro nome importante da cena “globalista”: Maga Bo, um americano de Seattle que mora no Rio desde 1999. Maga Bo já trabalhou com brasileiros como BNegão, MC Catra, Marcelo Yuka, Marcelinho da Lua e Digitaldubs.

No ano que vem, ele deve começar a dar aulas sobre produção digital na sede do AfroReggae, em Parada de Lucas, no Rio. No momento, está em Addis Ababa, capital da Etiópia, gravando com músicos locais e pesquisando música etíope.

“Batidas eletrônicas são o campo onde todo mundo pode se entender. O computador, que já foi chamado do primeiro “instrumento folk universal”, está cada vez mais acessível. O volume de música que pode ser encaixada nesse “global ghettotech” está aumentando no mundo. A morte das gravadoras tradicionais e o crescimento da distribuição de música na internet estão ajudando essa popularização”, conta Maga Bo.

Já o DJ Dolores, representante brasileiro mais conhecido dessa tendência, diz que “os computadores são os tambores de hoje, um instrumento primal que cada um pode usar do seu jeito”. Em 2004, Dolores ganhou o prêmio de melhor DJ na categoria “Club Global” da Radio One, da BBC inglesa. Dolores acaba de chegar de vários shows pelos EUA e México e no ano que vem deve lançar o álbum “Um Real”.

Diplo é o nome mais conhecido dessa safra de DJs/produtores. Esse americano de 29 anos foi um dos principais divulgadores do funk carioca no exterior. Ex-namorado de MIA (cujo primeiro álbum ele co-produziu), Diplo tocou recentemente no Tim Festival.

Ele acredita que é importante retribuir as culturas locais. Através do projeto Heaps Decent, ele vem fazendo música com jovens aborígenes de um centro de detenção de menores da Austrália. Faixas devem sair em breve, em parceria com o selo australiano Modular.

“Já que essas subculturas, de certa forma, me ajudam a ganhar a vida, fiz algo para ajudar seu desenvolvimento”, explica. “Nos próximos meses, espero fazer o mesmo na favela do Cantagalo, no Rio, com a ajuda do AfroReggae e do [antropólogo] Hermano Vianna.”

Um breve panorama #2 – GUITARRADA

12 Apr

lambadasdasquebradas1978

Desde a primeira festa, a Cheetah vem tocando guitarrada para animar a pista. Se foi recebida pelos presentes com algum espanto na primeira edição, depois todos dançaram bastante esse delicioso ritmo paraense.

A guitarrada foi criada por Mestre Vieira, e seu primeiro registro em disco é de 1978 (Lambadas das Quebradas). O ritmo pode ser considerado uma fusão de carimbó, cumbia, lambada, merengue e choro. A guitarra, sempre mais a frente, puxa os ritmos suingados, sejam eles amazonicos ou caribenhos. Mestre Vieira morava em Barcarena, onde não existia luz elétrica. Ele tocava bandolim, banjo, cavaquinho mas se encantou mesmo foi com a guitarra. Para poder tocar, ele construiu um amplificador, fez uns gatos e se tornou um monstro da guitarra. Foi ele quem ensinou Chimbinha (Banda Calipso) a tocar.

Mestre Curica, também um dos “Mestres da guitarrada“, toca carimbó desde 1971. Ele sempre veio com seu banjo turbinado tocar fogo nos salões. O terceiro mestre é Aldo Sena. Esses 3 craques, que foram re-descobertos por Pio Lobato, músico, integrante da banda Cravo Carbono e um estudioso do genero, também tiveram apoio do Dj Dolores, que ano passado prestou a sua homenagem com o lançamento do disco Música Magneta. Eles certamente continuarão frequentando TODAS edições da nossa festa da macaca.

Mestre Vieira – Lambada da bicharada

Aldo Sena  – Toca aí

charque

A guitarrada tem alguns discípulos mais recentes, como o La Pupuña, também do Pará. Essa banda, inspirada nos Mestres citados acima, vem representando muito bem a nova geração da guitarrada. Seu belo disco é adorado pela Cheetah. Adorado também é Charque side of the moon, releitura do clássico disco do Pink Floyd feita por Luiz Félix, guitarrista do La Pupuña. Charque reúne a elite da música paraense atual e até mesmo Mestre Vieira.

Charque Side Of The Moon – Money

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