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Ramiro Musotto R.I.P.

20 Sep

ramiro

Faleceu na sexta feira, dia 11, o grande músico Ramiro Musotto. Reproduzimos abaixo o belo texto que seu amigo e parceiro Lucas Santtana escreveu no Diginóis. Descanse em paz, Ramiro.

“Faleceu hoje ainda muito jovem e para surpresa de muitos, um dos grandes músicos que conheci na minha vida.

Ramiro Musotto nascido em Bahia Blanca – Argentina, se apaixonou pela música Brasileira e por causa dela veio morar no Brasil em 1982, para estudar percussão brasileira com o professor Zé Eduardo Nazário em São Paulo.

Logo em seguida se mudou para Salvador, encantado com a riqueza rítmica do Candomblé e da percussão de rua.

Ramiro era um músico completo, conhecia profundamente toda a liturgia ritimica do candomblé, a ponto de escrevê-la em partitura. Não só do candomblé baiano, quem o conheceu sabe da sua personalidade intensa, tudo que o interessava virava alvo de muito estudo e dedicação até esmirilhar tal informação. Era um professor nato.

Nos anos que se seguiram na Bahia Ramiro tocou e gravou com praticamente todo mundo em Salvador. Produziu um dos maiores discos já produidos lá até hoje, chamado “Um Canto para subir”, de Margareth Menezes”. Esse disco encheu os ouvidos de David Byrne e catapultou a carreira de Margareth no exterior, apadrinhada por Byrne.

É de Ramiro também a produção da faixa “Eu sou Negão” de Gerônimo. Foi a primeira vez que a percussão de um bloco foi programada numa bateria eletrônica e essa música foi um marco divisório no carnaval da Bahia. Foi por causa dela que os trios elétricos adotaram o samba -reggae no seu set.

Além de grande percussionista, Ramiro também era entusiasta tecnológico, ele e Liminha foram as 2 primeiras pessoas no Brasil a ter e pilotar uma mpc, instrumento adotado por diversos músicos nos dias de hoje.

Ele foi um pioneiro do sampler no Brasil e usou e abusou dele em discos do Skank, Caetano Veloso e Gilberto Gil, Marisa Monte, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Fernanda Abreu, Titãs, Sergio Mendes, Gal Costa, Adriana Calcanhoto, Zeca Baleiro dentre outros, com os quais tocou,  gravou e produziu ao longo desses anos.

Em 2001 Ramiro comeceu seu trabalho solo lançando o disco Sudaka. 

Em 2004 Ramiro empresta todo seu talento na gravação do disco Lenine in Cité, gravado ao vivo em Paris.  E em 2007 lança seu segundo disco: Civilização e Barbárie.

Além desses dois discos Ramiro lançou também o DVD Sudaka ao vivo com a participação de Sacha Ambeck, Leo Leobons, Kabo Duca e Felipe Continentino.

Muitos não sabem, mas Ramiro Musotto re-inventou o berimbau, depois de Nana Vasconcelos foi quem deu o grande passo a frente na modernização do instrumento, transformando-o harmônicamente e em termos de sonoridade, ao utilizar diversos tamanhos e afinações diferentes, além de cabaças de metal.

Adeus meu amigo, parabéns pelo seu rico legado deixado para nós, a música agradece a sua existência.

Que Oxalá estenda um grande pano branco na sua chegada………”

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