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Dancing Cheetah – festa especial de 02 anos!

24 Jun

No dia 09 de julho, no Cabaret Kalesa, a festa de global guettotech (ritmos eletrônicos de periferias globais) Dancing Cheetah realiza uma edição especial em comemoração aos seus 02 anos de vida. A partir das 23 horas, os Djs residentes Chico Dub e Pedro Seiler recebem, diretamente de Belém do Pará, a musa do tecnobrega Gaby Amarantos, e o DJ Waldo Squash, produtor mais importante do gênero atualmente.

Primeira festa nacional dedicada a música contemporânea produzida nos países latinos e africanos, a Dancing Cheetah nos últimos 2 anos tem contribuído para a disseminação de uma cultura pouco difundida no Sudeste do país e que geralmente sempre sofreu preconceito. Hoje, a Cheetah é uma referência no Brasil, tendo inclusive influenciado o nascimento de festas semelhantes no Brasil. 

___Sobre Gaby Amarantos e Waldo Squash___

Gaby vive com total consciência o processo de fixar uma identidade à qual o resto do Brasil ainda não está acostumado (talvez nem o próprio Norte do país esteja), a do artista brasileiro firmemente ancorado em suas origens indígenas. Gaby Amarantos é a artísta brasileira que mais entende de identidade neste início do século 21.
Pedro Alexandre Sanches

Em 2000, Gaby Amarantos caiu nas graças do brega se tornando uma pop-star da música paraense, recebendo grande reconhecimento por conta de sua banda, a Tecno Show. Através do tecnobrega, Gaby, apelidada de “A Beyoncé do Pará”, já participou do Fantástico, Altas Horas, Caldeirão do Huck e Domingão do Faustão. É sem sombra de dúvida o nome mais conhecido do tecnobrega, tendo tocado inclusive na posse da presidente Dilma.

Gaby se prepara gravar seu primeiro CD solo com a direção musical de Carlos Eduardo Miranda. O disco terá misturas de tecnobrega com ritmos como carimbó, guitarrada, bangüê, samba de cacete e reggaeton, gerando uma musicalidade única no país e no mundo.

O DJ Waldo Squash é o produtor mais inovador do tecnobrega. Seja em produções próprias ou nas bases para músicas da própria Gaby Amarantos, Waldo criou uma mistura entre o tecnobrega e o eletro. O ritmo, batizado de eletromelody (ou tecnomelody), dialoga com o movimento internacional global guettotech e apresenta composições sobre a realidade dos subúrbios de Belém. Waldo Squash também está a frente grupo paraense Gang do Eletro, surgido em 2008, e que também conta com Marcos Maderito. A Gang tem atraído a atenção da mídia, sendo citado em veículos de imprensa como Rolling Stone Brasil e Billboard.


João Brasil presents DJ Waldo Squash

Tracklist:

1 – Vou passar o sal (Melô do Ipitipiti) (c/ Gang do Eletro)
2 – Eletromelody Abracadabra
3 – Pitch Bull (c/ Gang do Eletro)
4 – Eletromelody da Francesinha
5 – Ai ai ai do príncipe
6 – Tecno-Cumbia Colombiana
7 – Capetinha da night (c/ Banda Eletro Hits)
8 – Mastigando Humanos (c/ Daniel Peixoto)
9 – Tecno-Cumbia do Moraes
10 – Eletro Meninos do Pop

João Brasil apresenta DJ Waldo Squash

16 May

Nosso João Brasil tem deixado a gringalhada louca com os tecnobregas que tem tocado. Por conta disso, o pessoal do blog Guetto Bassquake e da festa Secousse, encomendou a ele uma mixtape com o que o gênero tem de melhor. Em resposta, João resolveu juntar apenas músicas do Waldo Squash, produtor da Gang do Eletro e dono dos bregas mais inovadores de Belém do Pará.

João Brasil apresenta DJ Waldo Squash

1 – Vou passar o sal (Melô do ipitipiti) (w/ Gang do Eletro)
2 – Eletromelody Abracadabra
3 – Pitch Bull (w/ Gang do Eletro)
4 – Eletromelody da Francesinha
5 – Ai ai ai do príncipe
6 – Tecno-Cumbia Colombiana
7 – Capetinha da night (w/ Banda Eletro Hits)
8 – Mastigando Humanos (w/ Daniel Peixoto)
9 – Tecno-Cumbia do Moraes
10 – Eletro Meninos do Pop

Patrick Tor4 e o Baile Tropical

25 Jun


Estamos muito felizes em descobrir que o global guettotech ou world music 2.0 chegou ao Pará. Se o Rio tem a Dancing Cheetah e São Paulo a Boom Boom e a Explode, o Pará tem o Baile Tropical. Liderado pelos Djs Bernardo Pinheiro e Patrick Tor4, o Baile fez sua estreia em maio passado. E promete muita coisa boa para 2010.

Conversamos recentemente com o Tor4, Dj bastante atuante e que em julho próximo vai tocar com Uproot Andy e Toy Selectah num festival alemão!


—Dancing Cheetah entrevista Patrick Tor4, do Baile Tropical—


DC: Me parece super apropriado uma festa de global guettotech no Pará, um estado que, ao contrário do Sudeste, sempre foi influenciado pelas músicas bacanas da América Central e Latina. Como a festa surgiu, como está sendo a aceitação da mesma e quais os planos para o futuro?

P: Belém é uma grande cidade, uma metrópole tropical de cultura rica e diversificada, e que desde meados do século 20 foi influenciada pela musicalidade latina. A cumbia, o zouk e a salsa estimularam e modificaram as principais referências culturais locais como o carimbó, o siriá, e o lundú, criando ritmos como a guitarrada, a lambada,  e mais recentemente o tecnobrega, uma variante eletrônica da música brega que nada mais é que o bom e velho bolero. A capital paraense tem uma das mais incríveis noites brasileiras em todos os sentidos, música legal e diversa, classes sociais que se misturam. De segunda a segunda tem o que se fazer aqui. Coletivos de Djs e produtoras realizam eventos diversos, que não concorrem com os shows das bandas independentes e nem das pop/covers e nem tão pouco com as festas de Aparelhagem. Ou seja tem público e mercado pra todos.

Eu já fazia desde 2006 uma outra festa chamada Babeleska, que era um circuito de djs estrangeiros circulando no Brasil. Já haviamos trazido o Kostov da Bulgaria, Click da França, Farrapo da Itália, Rustico da Argentina, Negro Pésimo do Chile e Gaetano Fabri da Belgica. Nos últimos anos a batida do tecnobrega, eletromelody e demais estilos tem ultrapassado as fronteiras da periferia da cidade chegando a outras localidades no Brasil e fora tambem sobre tudo pela internet. Ter em Belém uma festa como o Baile Tropical coloca a cidade num circuito internacional desta tendencia e não só a cidade mas a música produzida aqui. A resposta de público e crítica é super positiva em Belém e fora tambem, pretendemos ter uma festa Baile Tropical mensal em cada região brasileira e ainda em Buenos Aires no Club Niceto até o fim de 2010, um programa de rádio semanal de 1 hora em cada uma destas cidades e lançar anualmente uma coletânea com distribuição internacional.

DC: Fale um pouco sobre o seu estilo. E o do Bernardo Pinheiro também.

P: O Bernardo e eu viemos da mesma escola de drum’n bass e broken beats funkeados. Começamos há cerca de 15 anos, ele em Belém e eu em Aracajú, onde morava em 96. Com o caminhar do estilo no Brasil, rolou um certo desencanto de ambos. Mesmo não nos conhecendo, sentimos a mesma “deprê”. Bernardo seguiu uma tendencia mais funky, broken beats, deep house, rare grooves, produzindo e discotecando. Enquanto que eu caminhei para a música global. Descobri as batidas do afrobeat, as fanfarras do leste europeu (Shantel entre outros), e nos últimos anos, o funk carioca, o kuduro, a cumbia digital, e, claro o tecnobrega, que juntos formam os quatro cavaleiros deste apocalípse sonoro que é o Baile Tropical, dentro de um caldeirão que vai do rock ao drum’n bass, passando pelo hiphop, carimbó, samba e tantas outras batidas quentes e envolventes.

DC: Já dá pra dizer que o Baile Tropical tem seus hits, digo, as preferidas do público?

P: Acho que ainda não mas seguramente alguns estilos se destacam a nova cumbia digital da galera do Zizek Crew da Argentina e as inusitadas versões tecnobrega do DJ Cremoso para clássicos do indie pop 80 e 90.

DC: Existe realmente uma diferença entre tecnobrega, tecnomelody e eletromelody?

P: Sim, com toda certeza. O tecnobrega basicamente é tudo, pelo menos como eu entendo. Como xote, xaxado e baião é forró, e bossa, pagode e samba enredo é tudo samba. Tecnobrega é a evolução eletrônica, do Brega com mais intensidade nas frequências grave e aguda pra poder ser tocada num grande equipamento de som. Daí posso te mostrar o Brega, que tem sonoridade mais acústica na bateria mesmo sendo programada e a voz é bem mais na cara.

Enquanto que o tecnobrega é mas eletrônico, a batida é mais na cara e o teclado é um pouco mais ácido.

O tecnomelody é um tipo de tecnobrega com pegada mais romântica na letra e na melodia, a música normalmente tem uma historinha de abandono, de traição ou de amor desesperado aos moldes dos forrós das bandas de Fortaleza e do desespero dos sertanejos.

O eletromelody é mais edonista, tal qual a disco music dos anos 70 em suas temáticas. Fala de festa, bebedeira, pegar garotas e encontros de equipes, que são equivalentes às galeras do baile funk dos anos 80 e 90 com um pouco menos de violência, mas com o mesmo enfrentamento. A música tem forte influência do eletrohouse europeu de gente como o Benny Bennassi, com baixo mais presente, batida mais grave e teclado sempre com distorção, já com quase nenhuma presença de histórias de amor e letras de sofrimento.

Maderito & Joe – Eletro Galera da 80

DC: Em termos de sonoridade, o que de mais legal tem sido feito no Pará?

Sem dúvida o eletromelody de Gang do Eletro, Maderito, Joe e Waldo Squash, que apontam para a tendência de qualificação técnica e estética do tecnobrega. Tem tambem uma galera da música pop usando os elementos do tecnobrega e misturando com o ragga, dub, o rock e até coisas mais tradicionais como o carimbó.

DC: O tecnobrega será a música oficial do verão 2011 no Brasil? O que falta para que a música paraense seja melhor aceita fora da região norte?

Eu acho que isso já aconteceu e ainda acontece até hoje. Se você lembrar do período inicial do axé, o Luiz Caldas já fazia uma adaptação da musicalidade do Pará a qual ele deu o nome de Fricote. Sem as referências do que era produzido aqui no inicio dos anos 80, a música baiana deste período não teria chegado aquele formato sozinha. Isso sem falar na lambada, que é uma evolução do zouk afro-latino que depois de ter passado pelo “Gate Processador Paraense”, recebeu os reefs do sopro do carimbó e o suinge da guitarrada, virando a Lambada popularizada nacionalmente pelo paraense Beto Barbosa, e internacionalmente pelos franceses do Kaoma. Há quem diga que o Kaoma roubou a fórmula paraense, tal qual a banda Dejavú tentou fazer agora com o tecnobrega.

Acredito que a música paraense tem sim com criar hits para o verão brasileiro de 2011, mas precisa trabalhar melhor o processo de construção dos artistas e o posicionamento de mercado deles.

DC: Como o Pará tem visto o aumento do interesse em relação ao tecnobrega em outros estados do país?

P: Com muito orgulho na maior parte da população. A outra parte, a que detesta o ritmo, não entende como pode haver este sucesso de algo tão ruim na opinião deles. E agem com o natural repúdio dos inconformados.

DC: Tem muito gringo indo ao Pará atrás desses sons? Ou na verdade o interesse é mais pelo sucesso do moderlo comercial implantado pelos grupos de brega paraenses?

Isso está rolando, mas acho ainda tímido. Eu vi como as coisas aconteceram na Bahia nos anos 80 pra 90, e em Pernambuco dos anos 90 pra 2000… O que ta rolando aqui ainda é o inicio de um grande boom.

DC: A gente aqui do Sul fica salivando querendo ir ao Pará, conhecer a floresta, comer pato no tucupi, tomar açaí, ir nas festas de aparelhagem… Ao mesmo tempo, chega muito pouca informação sobre os lugares legais, o que fazer… Você pode dar uma de guia turístico e dizer o que tem de bom pra se fazer em Belém, por exemplo? Quais são os sites onde as pessoas podem ficar por dentro das noitadas e programas especiais da cidade?

P: Hahaha claaaaaaaro!. É dificil  conhecer o Estado pela sua dimensão continental. Mas se consegue fazer isso em 3 ou 4 vindas. Vamos separar em partes.

1) Belém. Capital com muitíssimos atrativos culturais de uma metrópole. Museus, Teatro da Paz, mercado Ver o Peso, Mangal das Garças. Pra comer o melhor açai, é legal o Point do Açaí, e de preferencia comer açaí com farinha de tapioca e peixe frito, este é o Tradicional. As festas de aparelhagem acontecem mais na periferia da cidade, mas na região metropolitana, rola no Africam, no Casota e no Apororoca. Superpop, Tupinambá e Rubi são as maiores aparelhagens. Na verdade, a a festa é boa com qualquer uma, mas essas três são as tops.

Belém também tem uma noite alternativa das melhores do país, com festas fixas no Centro Cultural da Cidade Velha, Açaí Biruta, Café com Arte e Boteco São Matheus. Não deixem de ir na loja Na Figueredo, que é onde se pode encontrar roupas de designers paraenses e discos da música local de vários estilos, do rock ao tradicional. Cds de tecnobrega tem qualquer esquina… Pocure a coletânea do Vetron com qualquer camelô, é a melhor delas.

2) O interior norte do Pará tem as praias de água salgada de Tracoateua, na cidade de Bragança, e de Atalaia em Salinópolis. No extremo norte tem o arquipélogo de Marajó, que é paradisíaco.

3) No extremo oeste do estado, na cidade de Santarém tem uma praia de rio incrivelmente linda chamada Alter do Chão (foi eleita pelo jornal inglês Guardian a mais bela praia do mundo no ano passado).

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